Brasília – Com apenas 14,5% do Produto Interno Bruto (PIB) destinado à poupança, o Brasil acumula vulnerabilidades que dificultam o crescimento econômico e reforçam a necessidade de recursos estrangeiros para investimentos. O índice brasileiro equivale a um terço do registrado na China e fica atrás da maioria dos países latino-americanos.
Quatro em cada cinco famílias estão endividadas
Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que 80% das famílias tinham dívidas em outubro. Segundo o IBGE, mais de 40% dos domicílios vivem com renda inferior a um salário mínimo por pessoa.
Juros recordes e déficit público prolongado
A taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano, o nível mais alto em 19 anos. Ao mesmo tempo, o Banco Central aponta déficit nas contas públicas desde novembro de 2014, com exceção do período entre novembro de 2021 e março de 2023, quando a arrecadação foi impulsionada pela retomada pós-pandemia.
Para cobrir o rombo, o governo elevou impostos e levou a carga tributária a 32,3% do PIB em 2024, recorde histórico.
Poupança baixa reduz investimento
A taxa de investimento, que em meados da década passada alcançava 20,5% do PIB, caiu para 16,8% no segundo trimestre de 2025, de acordo com o IBGE. Como a poupança interna não cobre esse percentual, a diferença vem do capital externo, aumentando a exposição do país a turbulências internacionais.
Orçamento engessado
Mais de 92% dos gastos federais são obrigatórios, abrangendo Previdência, saúde, educação, salários e benefícios sociais. A despesa previdenciária consome cerca de metade do orçamento e passou de 4,9% para 8% do PIB entre 1997 e 2022, segundo estudo da Fipe.
Traumas de hiperinflação moldam comportamento
Décadas de inflação elevada e episódios como confiscos de poupança levaram as famílias a privilegiar consumo imediato. Mesmo com a estabilidade proporcionada pelo Plano Real em 1994, a desconfiança em aplicações de longo prazo persiste.
Renda baixa e informalidade limitam reservas
Informalidade de 37,8% entre os ocupados (dados do segundo trimestre de 2025) reduz o acesso a crédito barato e benefícios trabalhistas. Qualquer imprevisto pressiona orçamentos já apertados, alimentando o uso de crédito caro como extensão da renda.
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Empresas sentem o peso dos juros
O Brasil conta com 23,2 milhões de companhias ativas, mas apenas 37,3% sobrevivem após cinco anos, conforme o IBGE. Em agosto de 2024, 8,1 milhões estavam negativadas, segundo a Serasa Experian. Juros elevados dificultam renegociação de dívidas e freiam projetos de expansão.
Investimento público encolhe
Em 2024, o setor público investiu 2,2% do PIB, menor que os 3,2% de 1994, mostra o Observatório de Política Fiscal do FGV Ibre. Grande parte da arrecadação cobre despesas correntes, restando poucos recursos para infraestrutura.
Somado a serviços públicos de qualidade considerada baixa — o Brasil ocupava a 141ª posição no índice de efetividade governamental do Banco Mundial em 2023 — o quadro reforça a necessidade de desembolso privado para saúde, educação e segurança, comprimindo ainda mais a capacidade de poupança.
Enquanto dívida pública passou de 71,7% para 78,1% do PIB no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, famílias e empresas seguem recorrendo a crédito caro para manter consumo e operações, perpetuando o ciclo de endividamento e vulnerabilidade.
Com informações de Gazeta do Povo

