Um estudo do Instituto Max Planck, publicado em 2020 na revista Ecology, registrou polvos utilizando golpes rápidos em peixes durante caçadas coletivas. A agressão, segundo os pesquisadores, funciona como uma punição imediata contra parceiros que atrapalham a estratégia ou tentam se aproveitar da presa.
Cooperação entre espécies
Observações subaquáticas mostram que polvos formam grupos temporários com diferentes espécies de peixes para cercar presas com maior eficiência. Nessa parceria, cada integrante tem funções específicas: enquanto o cefalópode bloqueia rotas de fuga, os peixes fecham o cerco.
Mecanismo de disciplina
Quando um peixe bloqueia a visão do polvo, demonstra pouco esforço ou tenta roubar o alimento, o animal de oito braços desfere um “soco” com o tentáculo mais próximo. O golpe serve como alerta e mantém a cooperação sob controle.
Tipos de reação registrados
Os cientistas identificaram quatro respostas principais:
- Oportunismo: tentativa de roubo resulta em golpe forte.
- Posicionamento errado: peixes que atrapalham a visão recebem empurrões.
- Falta de esforço: parceiros que apenas seguem o grupo são advertidos com toques rápidos.
- Colaboração correta: peixes que cumprem a função não sofrem intervenção.
Importância para a biologia marinha
Polvos costumam ser animais solitários. A capacidade de coordenar ações e aplicar sanções a indivíduos de outras espécies indica um nível avançado de interação social, ampliando o entendimento sobre a inteligência desses cefalópodes.
Imagem: inteligência artificial
Para os autores, o comportamento ajuda a garantir uma divisão mais justa de energia e alimentos, evitando que a caça coletiva se transforme em disputa interna.
Com informações de Olhar Digital

