Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrada na manhã de 11 de março revelou tensão interna no Comando Vermelho (CV) após uma tentativa de trégua com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O inquérito da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) indica que a iniciativa partiu de Edgar Alves de Andrade, o Doca da Penha, sem o aval de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP.
Troca de mensagens
Segundo a investigação, em 22 de fevereiro de 2025 Doca enviou a um contato identificado como “São Paulo” — apontado como integrante do PCC — o print de uma reportagem que tratava da insatisfação de Marcinho VP com a divulgação de um suposto acordo de paz entre as facções.
Negociações ampliadas
Conversas interceptadas mostram que Doca conduzia tratativas de cessar-fogo não apenas entre CV e PCC, mas também com o Primeiro Grupo Catarinense (PGC) e o Primeiro Comando de Vitória (PCV). Em um dos diálogos, ele encaminha um texto-base sobre a proposta de aliança e pede avaliação: “Vê se ficou bom”.
Três dias depois, em 25 de fevereiro, circulou entre membros das organizações um “Comunicado Geral” anunciando o fim da guerra e convidando outras facções a aderirem à nova coalizão liderada por CV e PCC.
Reação da cúpula
O inquérito informa que Marcinho VP, apontado como presidente do Conselho Permanente do CV, ficou irritado por não ter sido consultado antes da divulgação do documento. Mesmo detido em um presídio federal, ele continuaria a comandar decisões estratégicas por meio de intermediários.
Doca, classificado pela polícia como “1ª Voz das Ruas”, seria responsável por executar determinações da liderança e articular ações nas comunidades. Para os investigadores, a tentativa de trégua sem autorização evidencia possível divisão interna no Comando Vermelho.
Com informações de Metrópoles

