O governo brasileiro recebeu com reserva o anúncio dos Estados Unidos de reduzir em 10% as tarifas recíprocas aplicadas a produtos do Brasil. A medida foi divulgada nesta quinta-feira (14.nov.2025) pela Casa Branca e abrange itens agrícolas como café, frutas tropicais e carne bovina.
Desde agosto, esses produtos vinham sendo taxados em 40% pelos EUA, além da alíquota recíproca de 10% que já existia. O tarifaço de 40% permanece em vigor.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, avaliou que a decisão indica “retorno à normalidade” nas relações bilaterais. “Divergências sempre existirão, mas serão tratadas sem fake news, pelo bem do Brasil”, afirmou ao jornal O Globo.
Negociações em curso
Para o assessor especial para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, a redução é “boa notícia para produtores e consumidores norte-americanos” e pode abrir caminho para avanços em bens manufaturados brasileiros, como calçados e máquinas.
Em nota, o governo dos EUA justificou a medida alegando “progressos substanciais” nas conversas de comércio recíproco e a atual demanda interna do país.
O tema foi tratado em reunião entre o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o chanceler Mauro Vieira, realizada na quarta-feira (13). “Discutimos assuntos de importância mútua e um marco recíproco para a relação comercial”, disse Rubio. Vieira declarou esperar um “mapa do caminho” de Washington para orientar as próximas etapas.
Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom
Contexto político
O tarifaço de 40% foi imposto de forma unilateral pelos Estados Unidos em agosto, após críticas do governo norte-americano ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF) e às decisões do ministro Alexandre de Moraes envolvendo plataformas digitais.
No fim de outubro, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump se encontraram em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), para discutir tarifas e sanções a autoridades brasileiras.
O Planalto segue avaliando o alcance do corte tarifário e aguarda próximos passos dos Estados Unidos antes de anunciar novas iniciativas.
Com informações de Gazeta do Povo

