O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a reduzir o contato direto com o Supremo Tribunal Federal (STF) depois que a Polícia Federal incluiu nomes de ministros da Corte nas investigações sobre o Banco Master. A mudança de postura, classificada por assessores como “afastamento preventivo”, busca evitar novo desgaste político em meio ao impacto negativo que o inquérito tem provocado na popularidade do chefe do Executivo.
Por que o Planalto se afasta
A avaliação interna é que a proximidade antes vista como importante para a governabilidade transformou-se em risco desde que documentos da PF sugeriram possível envolvimento de magistrados no caso. Para conter o dano, encontros frequentes entre Lula e ministros do STF foram cancelados e a agenda presidencial passou a priorizar compromissos sem participação de integrantes do Judiciário.
Ministros citados
Relatórios da investigação mencionam os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. No caso de Toffoli, pesa o histórico de ligações com o PT e referências a negócios privados. Quanto a Moraes, o desconforto no Palácio do Planalto decorre de mensagens apreendidas que indicam contato dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Ambos negam qualquer irregularidade, mas o governo teme que a oposição explore o episódio como prova de uma suposta aliança entre Executivo e Supremo.
Percepção pública sobre o Supremo
Levantamentos recentes mostram desgaste expressivo da imagem do tribunal. Segundo as pesquisas, 72 % dos entrevistados afirmam que o STF concentra poder excessivo, enquanto 59 % o veem como aliado do governo federal. A maioria também considera importante eleger senadores dispostos a analisar eventuais pedidos de impeachment contra ministros, fator que eleva a preocupação eleitoral do PT.
Reflexos nas eleições de 2026
A direita tenta capitalizar o escândalo para as eleições ao Senado em 2026. Partidos como o PL declararam intenção de buscar maioria absoluta na Casa com a bandeira de enfrentamento ao STF. Como cabe ao Senado processar ministros da Corte, o cenário institucional favorece discursos que questionam a legitimidade do tribunal e sua relação com o Executivo.
Risco de alcance ao governo
Integrantes do PT admitem receio de que novos desdobramentos da investigação atinjam diretamente a administração federal. Eventual delação premiada de Daniel Vorcaro poderia envolver contratos firmados em estados governados pelo partido ou mesmo nomes do primeiro escalão. Caso isso ocorra, o espaço para Lula manter postura de neutralidade tende a diminuir.
O Planalto, por enquanto, aposta no recuo estratégico para mitigar danos e acompanhar a evolução do inquérito antes de retomar interlocução mais próxima com o Supremo.
Com informações de Gazeta do Povo

