A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (13), o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Alessandro Stefanutto. A detenção faz parte de uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes em benefícios previdenciários.
Além de Stefanutto, a PF cumpre outros nove mandados de prisão preventiva ou medidas cautelares e 63 mandados de busca e apreensão em 14 estados e no Distrito Federal. Entre os alvos de busca estão o ex-ministro do Trabalho e Previdência Ahmed Mohamad Oliveira, o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA).
Defesas contestam ações
Em nota, a defesa de Stefanutto classificou a prisão como “completamente ilegal”, alegando que o ex-presidente do INSS vem colaborando com as investigações e não teve acesso à decisão que determinou sua detenção. Os advogados afirmam que buscarão as informações necessárias para “tomar as providências cabíveis”.
O deputado Euclydes Pettersen disse ver a operação como “uma libertação”, declarou apoio às investigações e se colocou à disposição das autoridades.
Outros alvos
Em Curitiba, o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira e sua esposa, também citados nos mandados, apresentaram-se na Superintendência da PF. Virgílio havia sido afastado do cargo por decisão judicial em abril de 2025.
A operação conta com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e também mira empresários e servidores públicos federais. Stefanutto continua registrado como servidor vinculado à Advocacia-Geral da União.
Contexto das investigações
O presidente Lula (PT) demitiu Stefanutto em abril de 2025, após a revelação das fraudes. O ex-dirigente já estava afastado do INSS por determinação judicial.
Imagem: Ricardo Stuckert
Segundo a PF, os desvios investigados ocorreram entre 2019 e 2024 e geraram prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões a aposentados e pensionistas.
Os suspeitos podem responder por inserção de dados falsos em sistemas oficiais, organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.
CPMI e trajetória política
A Operação Sem Desconto motivou a criação da CPMI do INSS. Ouvido pela comissão, Stefanutto afirmou ter tomado medidas para interromper descontos não autorizados em benefícios. Filiado ao PDT desde o início de 2025, ele deixou o PSB após assumir a presidência do INSS por indicação do então ministro da Previdência e presidente do PDT, Carlos Lupi. Antes, atuou como consultor da equipe de transição do governo Lula.
Até o momento, o deputado estadual Edson Araújo, Ahmed Mohamad Oliveira e Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Neto não se manifestaram publicamente sobre as ações desta quinta-feira.
Com informações de Gazeta do Povo

