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PF aponta Conafer como peça-chave em esquema de descontos ilegais no INSS

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Brasília – A Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) tornou-se, em poucos anos, a segunda entidade que mais recebeu recursos de descontos associativos na folha do INSS, somando mais de R$ 708 milhões, de acordo com a Polícia Federal (PF). O valor só fica atrás dos cerca de R$ 3,6 bilhões repassados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), que possui estrutura sindical consolidada há décadas.

Operação Sem Desconto

Na nova fase da Operação Sem Desconto, a PF sustenta que o crescimento da Conafer entre 2019 e 2024 dependia de infiltração no INSS, cooperação interna e proteção política. A investigação descreve três núcleos:

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  • Operacional – inserção de autorizações falsas, uso de dados de mortos e menores.
  • Financeiro – lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada; Cícero Marcelino de Souza Santos é apontado como operador.
  • Político – agentes públicos e parlamentares que garantiriam respaldo ao esquema.

Fuga do presidente e nota de defesa

O presidente da entidade, Carlos Roberto Ferreira Lopes, é o único alvo de prisão ainda não localizado. A Conafer afirma que Lopes está em viagem a área remota, nega tentativa de fuga e diz que ele se apresentará assim que tiver acesso aos autos.

Explosão de receitas

Dados da Controladoria-Geral da União (CGU) mostram que a Conafer saltou de R$ 400 mil em arrecadação, em 2019, para R$ 202 milhões em 2023. Entre 2021 e 2025, a PF estima R$ 688 milhões recebidos via descontos.

Durante quatro meses de 2020, auge da pandemia, a entidade registrou 95.818 novos associados – média de 630 por dia. O INSS considerou insuficiente a justificativa de que a adesão ocorreu por atendimento remoto.

Fichas de mortos e menores

A CPMI do INSS identificou cadastros de 87 segurados falecidos em 2021, 61 em 2022, 2.083 em 2023 e 1.135 em 2024. Também foram encontradas fichas em nome de menores de idade. Em depoimento, Lopes negou irregularidades, mas acabou preso em flagrante por falso testemunho; foi liberado após fiança de R$ 5 mil.

Planilha de propina

Entre os documentos apreendidos, a PF destaca uma planilha com repasses mensais a supostos beneficiários identificados por codinomes, como “Italiano”, “Herói E” e “Herói V”. O deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) é associado ao codinome “Herói E” e nega envolvimento. A planilha indicaria pagamentos regulares, configurando uma espécie de “mensalidade política”.

Gestores do INSS na mira

O ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto é acusado de receber R$ 250 mil mensais, de junho de 2023 a setembro de 2024, para facilitar inserções de dados e homologações. A defesa do ex-gestor nega as acusações.

A Conafer reforça que sempre colaborou com as autoridades e repudia o que chama de cobertura sensacionalista sobre o caso.

Com informações de Gazeta do Povo

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