Uma apuração realizada pelo portal G1 localizou pelo menos 62 contas no TikTok que divulgam conteúdos de apologia ao nazismo. Os perfis utilizam códigos, palavras-chave e símbolos disfarçados para escapar dos filtros automáticos da plataforma e da fiscalização policial.
Estratégias para driblar a moderação
De acordo com a investigação, os responsáveis pelos perfis recorrem a técnicas conhecidas como “dog whistle”, nas quais termos sensíveis, como o nome de Adolf Hitler, são substituídos por emojis, siglas ou expressões indiretas. Dessa forma, as publicações evitam menções explícitas à suástica — símbolo citado diretamente na legislação brasileira — e permanecem ativas por mais tempo.
Especialistas ouvidos pelo G1 afirmam que esses subterfúgios não alteram o caráter ilegal do conteúdo, classificado como apologia ao nazismo, crime previsto na Lei 7.716/1989, que estabelece pena de dois a cinco anos de prisão para quem promove ou divulga símbolos nazistas.
Recomendações do algoritmo
O levantamento indica também que, após o usuário assistir a um desses vídeos, o algoritmo do TikTok tende a sugerir material semelhante na aba “For You”. Esse mecanismo amplia o alcance das postagens e contribui para a disseminação da ideologia.
Perfis em português e alto engajamento
Dos 62 perfis mapeados, cerca de 15 parecem operar a partir do Brasil. Entre os exemplos, há vídeos em português que celebram 30 de abril, data da morte de Hitler. Um único post, publicado em junho de 2025, acumulou mais de 371 mil visualizações e milhares de curtidas, com comentários de usuários de vários países tratando o ditador como “herói” ou “grande líder”.
Posicionamento do TikTok
Procurada pela reportagem, a rede social informou ter removido todas as contas citadas por violarem as diretrizes da comunidade, que proíbem discurso de ódio e antissemitismo. A empresa declarou ainda que seus sistemas automáticos eliminam quase 99% dos conteúdos irregulares, a maioria antes mesmo de serem visualizados.
Legislação e obrigações das plataformas
Além da legislação específica contra o nazismo, a Constituição Federal classifica o racismo como crime inafiançável e imprescritível. Especialistas ressaltam que a veiculação e a recomendação de conteúdos desse tipo também violam acordos internacionais assinados pelo Brasil, reforçando a responsabilidade das redes sociais em retirá-los do ar.
As investigações continuam para identificar outros perfis e possíveis responsáveis pela produção e distribuição desse material.
Com informações de Olhar Digital

