O Departamento de Defesa dos Estados Unidos e a Anthropic travam negociações tensas acerca das condições para empregar tecnologias de inteligência artificial (IA) em atividades militares e de segurança interna. Segundo fontes ouvidas pela agência Reuters, o principal ponto de conflito é a exigência da empresa de que seus sistemas não sejam envolvidos em armas autônomas nem em ações de vigilância doméstica contra cidadãos norte-americanos.
O impasse ocorre após meses de tratativas em torno de um contrato que pode atingir US$ 200 milhões. A Anthropic insiste em salvaguardas mais rígidas, enquanto o Pentágono argumenta que precisa de liberdade para adaptar soluções comerciais de IA dentro dos limites legais do país.
Memorando interno eleva a tensão
Um documento datado de 9 de janeiro, redigido por autoridades do Departamento de Defesa, critica políticas impostas por empresas privadas que limitem a atuação do governo. Representantes da Anthropic, por outro lado, afirmam temer que seus modelos sejam usados para monitorar a população ou executar ataques sem supervisão humana adequada.
Colaboração estratégica
Apesar das divergências, o Pentágono continua interessado na parceria. Os modelos da Anthropic contam com mecanismos para evitar comportamentos nocivos e, segundo as fontes, adaptações para fins militares dependeriam do trabalho direto dos engenheiros da companhia.
A Anthropic declarou que suas soluções já são empregadas em missões de segurança nacional e que mantém “discussões produtivas” com o governo. O Departamento de Defesa preferiu não comentar o assunto à agência.
Contexto de mercado
A disputa surge num momento em que a Anthropic estuda abrir capital e busca ampliar contratos na área de defesa. Em 2023, a empresa foi uma das poucas selecionadas pelo Pentágono para projetos de IA, ao lado de Google, OpenAI e xAI.
O posicionamento cauteloso da empresa não é recente. Em texto publicado em seu blog, o CEO Dario Amodei defendeu que a IA fortaleça a defesa nacional “em todos os aspectos, exceto naqueles que nos tornariam semelhantes a regimes autocráticos”. Ele também criticou publicamente ações violentas do governo contra manifestações, intensificando o debate sobre o uso estatal dessas tecnologias.
Ainda não há previsão de acordo definitivo entre as partes.
Com informações de Olhar Digital

