João Clemente Pereira, 63 anos, havia superado complicações pós-cirúrgicas e mostrava sinais de recuperação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), quando morreu em 18 de novembro de 2025. A família sustenta que a morte foi provocada por três técnicos de enfermagem investigados pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Cirurgia e internação
De acordo com a filha, Valéria Leal Pereira, o pai procurou o hospital em 4 de novembro de 2025 após sentir fortes dores de cabeça. Exames apontaram um coágulo na parte superior do crânio e os médicos indicaram intervenção cirúrgica imediata. Após o procedimento, João permaneceu intubado, desenvolveu complicações pulmonares, mas apresentou melhora progressiva e chegou a conversar com familiares antes de sofrer quatro paradas cardíacas e morrer.
“Ele entrou no hospital andando, dirigiu até lá e dizia que ficaria tudo bem. Porém, foi assassinado”, declarou Valéria.
Suspeitos identificados
A PCDF apura a participação dos técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. A identidade das vítimas não foi divulgada oficialmente, mas o Metrópoles confirmou os nomes.
Operação Anúbis
A investigação foi deflagrada em 11 de janeiro de 2026 com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE). Na primeira fase, dois suspeitos foram presos temporariamente e cumpridos mandados de busca em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO). Na segunda fase, em 15 de janeiro, outro mandado de prisão e novas apreensões de dispositivos eletrônicos ocorreram em Ceilândia e Samambaia.
Outras mortes sob suspeita
Além de João Clemente, a polícia atribui ao trio mais duas mortes:
- Marcos Moreira, 33 anos, servidor dos Correios, internado com dores abdominais e morto em 1º de dezembro de 2025.
- Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, professora aposentada, que teria recebido ao menos dez aplicações de desinfetante na corrente sanguínea, morrendo em 17 de novembro de 2025.
A PCDF analisa, ainda, cerca de 20 outros atestados de óbito emitidos em hospitais do Distrito Federal para verificar possível ligação com os investigados.
João Clemente era servidor da Caesb e planejava se aposentar em dois anos. Ele deixa esposa, dois filhos e um neto.
Com informações de Metrópoles

