O cientista Yoshua Bengio, considerado um dos “padrinhos” da inteligência artificial, advertiu que a corrida em direção à Inteligência Artificial Geral (AGI) pode parar subitamente, colocando em risco investimentos de trilhões de dólares no setor de tecnologia.
De acordo com Bengio, caso a AGI exija uma arquitetura diferente da atual, simplesmente aumentar o número de chips e o consumo de energia — estratégia conhecida como escalonamento — não será suficiente. “Estamos empilhando escadas cada vez mais altas para chegar à Lua”, resumiu um especialista ouvido pelo jornal The Guardian, citado pelo pesquisador.
Trilhões em jogo
Estimativas apontam para US$ 2,9 trilhões (cerca de R$ 16 trilhões) em novos data centers até 2028. Se a tecnologia não conseguir substituir tarefas complexas realizadas por humanos, o impacto pode ser comparado à crise financeira de 2008.
O risco é ampliado pela forma de financiamento: crédito privado e títulos de alto rendimento. A Meta, por exemplo, levantou US$ 29 bilhões (R$ 156 bilhões) nesse mercado para erguer um único data center. Hoje, a infraestrutura de IA já representa 15% da dívida de grau de investimento nos Estados Unidos.
Bolha reconhecida pelas próprias empresas
Embora mantenham discurso público otimista, executivos de Google, Amazon e OpenAI reconhecem uma “irracionalidade” no setor, sugerindo a existência de uma bolha industrial. Analistas observam, porém, que a IA generativa já traz ganhos tangíveis em publicidade e desenvolvimento de software, o que poderia sustentar parte dos gastos.
O desafio, segundo economistas, é saber se os resultados comerciais aparecerão antes que a paciência — e o capital — dos investidores se esgote.
Com informações de Olhar Digital

