O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, desistiu nesta sexta-feira (19/09/2025) de viajar aos Estados Unidos para a 78ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão foi tomada depois de o governo do presidente Donald Trump limitar o deslocamento do ministro em território norte-americano a um perímetro de cinco quarteirões entre o hotel, a sede da ONU e representações diplomáticas brasileiras.
Padilha, que integraria a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), classificou a medida como “inaceitável”. “Quando vou a um evento como esse, preciso ter plena possibilidade de participar de todas as atividades para as quais fomos convidados”, afirmou em entrevista à GloboNews.
O visto de entrada foi concedido na quinta-feira (18), mas veio acompanhado da restrição de circulação, válida também para familiares. Segundo o ministro, a limitação inviabilizaria reuniões bilaterais que costumam ocorrer em embaixadas de outros países e sua presença na conferência da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), marcada para 29 de setembro, em Washington.
Padilha destacou que o Brasil é o segundo maior integrante da Opas e possui o maior sistema público de saúde da entidade. Durante o encontro em Washington, ele pretendia anunciar um aporte brasileiro ao fundo estratégico da organização, destinado a reduzir preços de vacinas e medicamentos no continente.
O ministro enviou uma nota de protesto à Opas e afirmou não temer retaliações de Washington. “Qualquer tentativa de restrição não nos intimida. Continuaremos defendendo vacinas, ciência e atraindo investimentos para produzir imunizantes, medicamentos e tecnologia de saúde no Brasil”, declarou.
Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom
No mês passado, os Estados Unidos revogaram os vistos da esposa e da filha de Padilha. A revogação foi ligada à atuação do ministro no programa Mais Médicos e ao vencimento de seu visto pessoal desde 2024.
Mais cedo, o chanceler Mauro Vieira comunicou ter acionado o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidência da Assembleia-Geral, pedindo intervenção contra as restrições impostas ao ministro brasileiro. Vieira qualificou a medida como “injusta e absurda”.
Com informações de Gazeta do Povo

