Brasília, 15.out.2025 – Parlamentares da oposição reagiram nesta quarta-feira (15) à iniciativa do governo federal de buscar um empréstimo de R$ 20 bilhões para evitar a insolvência dos Correios. A operação, discutida com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e instituições privadas, terá garantia do Tesouro Nacional.
Pelos termos preliminares, a estatal receberá R$ 10 bilhões em 2025 e outros R$ 10 bilhões em 2026. Os recursos servirão para capital de giro e para um programa que prevê demissões voluntárias e renegociação de passivos, condicionado à adoção de medidas de ajuste.
Déficit recorde e críticas à gestão
Os Correios acumulam prejuízo de R$ 4,4 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano, superando o resultado negativo de R$ 2,6 bilhões registrado em todo o ano de 2024.
Vice-líder da oposição, o deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS) classificou a iniciativa como “golpe na responsabilidade fiscal” e alertou para o impacto da dívida nas contas públicas. Já Rodrigo Valadares (União-SE) disse que o pedido de socorro evidencia o fracasso na gestão das estatais e defendeu investigação do Congresso.
No mesmo tom, Coronel Tadeu (PL-SP) cobrou transparência sobre o destino dos recursos da empresa pública, enquanto Capitão Alberto Neto (PL-AM) advertiu que novos empréstimos podem pressionar impostos e reduzir espaço para despesas sociais. O deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) afirmou que a oposição fiscalizará a operação para evitar que o custo recaia sobre a população.
Reunião no governo
Segundo apuração da imprensa, a proposta foi discutida em 9 de outubro em encontro que reuniu os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Esther Dweck (Gestão) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), além de representantes do Tesouro Nacional, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, do Banco do Brasil e da Caixa.
Imagem: Marcelo Camargo
Explicação da estatal
Em nota, os Correios atribuíram o prejuízo de 2024 aos efeitos da chamada “taxa das blusinhas”, instaurada pelo novo marco regulatório das compras internacionais. Segundo a empresa, a medida trouxe impacto positivo ao varejo nacional, mas reduziu receitas do serviço postal.
O governo ainda depende da aprovação das instituições financeiras para concluir a operação de crédito.
Com informações de Gazeta do Povo

