Brasília, 6 out. 2025 – A advogada ucraniana Oleksandra Matviichuk, fundadora do Centro pelas Liberdades Civis e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2022, declarou que o governo brasileiro dispõe de condições para influenciar Moscou a adotar medidas humanitárias imediatas na guerra contra a Ucrânia.
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, exibida nesta segunda-feira (6), Matviichuk afirmou que o Brasil mantém “um canal de comunicação” com a Rússia e pode utilizá-lo para “persuadir a Rússia a resolver questões humanitárias urgentes”.
A ativista recordou que o presidente russo, Vladimir Putin, é alvo de mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) por deportação ilegal de crianças ucranianas desde a invasão iniciada em fevereiro de 2022. Segundo ela, a possibilidade de detenção explica a ausência de Putin na cúpula do G20 realizada em outubro de 2024, no Rio de Janeiro. “Putin ficou com medo de vir, porque o Brasil é signatário do TPI e teria obrigação de prendê-lo”, afirmou.
Matviichuk defendeu ainda a criação de um tribunal especial para julgar crimes de agressão cometidos pela Rússia e disse esperar que o Brasil apoie a iniciativa, deixando de lado uma posição de neutralidade. Para a laureada, o conflito precisa ser analisado à luz do direito humanitário internacional, “no qual há um agressor e uma vítima”.
Lula entre Moscou e Kiev
O debate ocorre em meio ao esforço diplomático do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em maio deste ano, Lula participou, em Moscou, da celebração dos 80 anos da vitória soviética na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos líderes Xi Jinping (China), Miguel Díaz-Canel (Cuba) e Nicolás Maduro (Venezuela).
No mês passado, o chefe do Executivo brasileiro teve seu primeiro encontro com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, à margem da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Na ocasião, Lula afirmou que “fará o possível para levar paz à Ucrânia”, enquanto Zelensky agradeceu o “posicionamento claro” do Brasil.
Imagem: Camila Abrão
Lula disse ainda que pretende conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com Putin para mediar o fim da guerra. “Se um amigo pode uma coisa, dois amigos podem muito mais”, declarou o brasileiro.
Oleksandra Matviichuk reforçou que, para além da mediação, o Brasil pode exercer influência direta sobre Moscou em questões como a devolução de crianças deportadas e a garantia de corredores humanitários.
Não há, até o momento, manifestação oficial do Palácio do Planalto sobre as declarações da Nobel da Paz.
Com informações de Gazeta do Povo

