Brasília — O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, transferido recentemente para a superintendência da Polícia Federal na capital federal, abriu tratativas para um acordo de delação premiada que pode atingir ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Mensagens localizadas em seu celular mencionam, direta ou indiretamente, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, o que provoca movimentação interna na Corte para limitar eventuais investigações.
Quem é o delator
Vorcaro é investigado por suspeita de buscar proteção no Judiciário por meio de operações financeiras de grande porte. Detido em Brasília, ele já assinou um termo de confidencialidade – primeiro passo de quem pretende colaborar com a Justiça em troca de benefícios processuais.
Ministros citados
Nas conversas apreendidas, surgem referências a encontros e negócios que envolveriam Toffoli e Moraes. No caso de Toffoli, as suspeitas giram em torno da compra de parte de um resort; quanto a Moraes, trata-se da contratação do escritório de advocacia de sua esposa. Ambos negam irregularidades e alegam relações de amizade ou negócios lícitos.
Precedente que pode barrar a colaboração
No STF, ministros avaliam usar decisão de 2021, que anulou a delação do ex-governador Sérgio Cabral após ele citar Toffoli, para questionar a validade do acordo de Vorcaro. Naquele julgamento, o tribunal entendeu que a Polícia Federal não pode investigar autoridades com foro privilegiado sem autorização prévia do Supremo. A Corte também sinalizou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) pode inviabilizar acordos firmados apenas com a PF.
Papel da PGR
Para abrir inquérito contra um ministro, é necessário pedido formal da PGR, hoje chefiada por Paulo Gonet, considerado próximo a integrantes influentes do tribunal. A tendência é que o órgão se oponha a apurações baseadas unicamente em depoimentos e exija provas externas consistentes, conforme jurisprudência consolidada.
Saída estratégica do delator
Especialistas apontam que Vorcaro pode optar por não imputar crimes aos ministros, relatando apenas relações sociais ou comerciais sem ilicitude. Essa escolha reduziria o risco de o STF rejeitar os benefícios eventuais de sua colaboração.
As articulações em torno da delação seguem em curso, enquanto defensores e autoridades acompanham de perto os próximos passos do investigado e as reações dentro do Supremo.
Com informações de Gazeta do Povo

