A NASA reconheceu que ainda não dispõe de um sistema operacional capaz de impedir a colisão de um asteroide perigoso com a Terra caso a ameaça seja detectada em curto prazo. A afirmação foi feita pela oficial interina de Defesa Planetária da agência, Kelly Fast, em entrevista ao jornal britânico The Times.
“Encontrar asteroides antes que eles nos encontrem”
Segundo Fast, a missão fundamental da defesa planetária é localizar esses objetos com antecedência suficiente para agir. A pesquisadora Nancy Chabot, do Laboratório de Física Aplicada da Johns Hopkins University, acrescentou que a ausência de uma resposta rápida “tira seu sono”.
Risco de extinção global é baixo
Especialistas lembram que a Terra não sofre o impacto de um corpo celeste de dimensão extintora — como o que eliminou os dinossauros há 65 milhões de anos — desde então, e classificam esse tipo de evento como muito raro. A maior preocupação recai sobre os chamados “asteroides destruidores de cidades”, com diâmetro a partir de 100 metros, capazes de devastar regiões urbanas se cruzarem o caminho do planeta.
Monitoramento em andamento
- Astrônomos já catalogaram milhares de asteroides com pelo menos 100 metros no Sistema Solar interno.
- Nenhum deles apresenta rota de colisão iminente, mas estima-se que apenas 40% dos objetos com mais de 140 metros tenham sido descobertos.
- O recém-detectado 2024 YR4, por exemplo, só foi observado nos últimos dois anos e ainda mantém probabilidade relevante de atingir a Lua.
Experiências e limitações
A missão DART, concluída em 2022, demonstrou ser possível alterar a trajetória de um asteroide com antecedência adequada. Porém, não há hoje nenhuma nave semelhante pronta para lançamento imediato, nem um veículo posicionado em ponto estratégico do espaço aguardando ordens.
Para que uma defesa seja efetiva, o objeto teria de ser detectado meses ou anos antes do possível impacto. A destruição com armas nucleares, popular em filmes, não é considerada a melhor solução; a estratégia preferida é aplicar um leve empurrão que, acumulado ao longo do tempo, faça o asteroide passar a uma distância segura.
Frequência de impactos
- Objetos capazes de destruir cidades podem atingir a Terra a cada dois ou três séculos, mas registros históricos são escassos.
- O último evento desse porte foi a explosão de Tunguska, na Sibéria, em 1908.
- Em 2013, a entrada de um corpo menor sobre Cheliabinsk, na Rússia, causou danos materiais, mas não deixou vítimas fatais.
Novos telescópios, velhos obstáculos
O Vera Rubin Observatory, em fase de comissionamento, deve aumentar rapidamente a taxa de descobertas graças a seu amplo campo de visão. Ainda assim, ele não consegue observar objetos que permaneçam na direção do Sol, o que exige instrumentos complementares.
Outro entrave é o financiamento internacional: como nenhuma agência espacial sabe onde um possível impacto ocorreria, chegar a um consenso para bancar uma missão permanente de defesa planetária tem se mostrado tão complexo quanto negociar acordos climáticos. Cientistas sugerem até a participação de investidores privados, mas, por ora, não há projeto financiado.
No momento, astrônomos continuam a varrer o céu repetidamente na tentativa de “alcançar os asteroides antes que eles nos alcancem”, como resume Kelly Fast. Até que uma ameaça concreta seja detectada — e enquanto não existir uma nave pronta para agir —, a melhor defesa permanece sendo a detecção precoce.
Com informações de Olhar Digital

