Morcegos não vivem em silêncio nas cavernas. Um levantamento conduzido pela University College London (UCL) reuniu milhares de vocalizações desses mamíferos e comprovou que cada colônia desenvolve variações sonoras comparáveis a sotaques humanos.
Biblioteca sonora sem precedentes
Para analisar os padrões de comunicação, os pesquisadores criaram a maior coleção mundial de registros de sons de morcegos. A base possibilitou identificar nuances nos chamados sociais usados para manter a coesão do grupo e resolver disputas diárias.
Convergência vocal entre parceiros
No morcego-vampiro (Desmodus rotundus), observou-se que os chamados de contato são ajustados para soar mais parecidos com os de indivíduos próximos, principalmente aqueles que compartilham alimento. O comportamento é classificado como “convergência vocal social” e se assemelha à tendência humana de adaptar o sotaque ao círculo de convivência.
Aprendizado de dialeto desde o nascimento
Os dados indicam que filhotes assimilam o dialeto específico do grupo onde nascem, reforçando a identidade cultural da colônia. Cada conjunto de animais passa, portanto, a ter uma “assinatura” vocal própria.
Funções dos sons identificados
A análise apontou três categorias principais de emissão sonora:
- Ecolocalização: navegação e caça de insetos, usada individualmente;
- Chamados sociais: reconhecimento de membros, marcação de território e resolução de conflitos internos;
- Alertas de perigo: aviso coletivo sobre predadores.
Reconhecimento de indivíduos pelo tom de voz
Além de distinguir entre amigos e estranhos, os morcegos empregam vocalizações para:
- identificar familiares;
- disputar espaço em poleiros ou acesso a fontes de alimento;
- garantir o reencontro entre mães e filhotes durante o retorno à colônia.
Segundo os autores, a complexidade mostrada pelas diferentes “entonações” confirma que a comunicação dos morcegos vai muito além da ecolocalização, revelando um sistema social sofisticado sustentado pelo aprendizado vocal.
Com informações de Olhar Digital

