O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) instaurou inquérito civil para verificar supostas irregularidades no funcionamento das unidades da rede de academias C4 Gym na capital paulista. A investigação teve início depois da morte da professora Juliana Faustina Bassetto, 27 anos, ocorrida em 7 de fevereiro, durante aula de natação na unidade do Parque São Lucas, zona leste.
A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital concentra a apuração na ausência do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e de outras autorizações exigidas por lei. O promotor Marcus Vinicius Monteiro dos Santos determinou que a empresa apresente a relação de todas as unidades em operação na cidade, com endereços, identificação dos franqueados e cópias dos contratos de franquia, além de esclarecimentos sobre eventuais falhas estruturais ou documentais.
Vistorias solicitadas
Ofícios foram encaminhados à Secretaria Municipal de Governo, à Vigilância Sanitária e ao Corpo de Bombeiros para que realizem inspeções em cada academia da rede. Os órgãos deverão entregar relatórios com a situação de licenças, AVCBs emitidos e indicar medidas administrativas, incluindo possíveis interdições, caso haja risco à segurança dos frequentadores.
Mais uma vítima internada
Na segunda-feira, 9 de fevereiro, a Polícia Civil registrou a sexta vítima relacionada ao incidente. A mulher, de 29 anos, que participou da mesma aula de natação, foi internada na UTI do Hospital São Luiz do Tatuapé após apresentar dores de cabeça, vômitos e diarreia. Ela permanece sob observação.
Detalhes do incidente
No sábado, 7 de fevereiro, Juliana sofreu parada cardíaca depois de sair da piscina. O marido dela, Vinicius de Oliveira, 31 anos, também passou mal e foi hospitalizado em estado grave no Hospital Santa Helena, em Santo André, onde foi registrado o boletim de ocorrência no 6.º Distrito Policial.
Além do casal, ao menos quatro pessoas foram atendidas com sintomas severos. Um adolescente foi levado ao Hospital Vila Alpina, na zona leste, com dificuldade para respirar.
Relatos de alunos
O advogado Eduardo Esteves Rossini, 37 anos, que estava na aula, contou que funcionários misturaram cloro em um balde ao lado da piscina, provocando forte reação química. “Sentimos queimar olhos, nariz, garganta e pulmões; ficou impossível respirar”, declarou. Rossini buscou atendimento médico no dia do episódio e voltou ao hospital dois dias depois devido ao agravamento da inflamação na garganta.
Imagens internas
Câmeras de segurança registraram o momento em que alunos e instrutores tentam deixar a piscina enquanto apresentam dificuldade de movimento e respiração. As gravações mostram Juliana sendo levada para a recepção da academia, onde se senta no chão, leva a mão ao peito e parece desorientada.
Em nota, a direção da C4 Gym afirmou lamentar “profundamente” o ocorrido e disse estar colaborando com todas as autoridades responsáveis pela investigação.
Com informações de Metrópoles

