A Microsoft transformou o Copilot no eixo principal de sua aposta em inteligência artificial, mas a adoção do chatbot ainda está aquém do esperado, segundo dados internos e análises do Wall Street Journal. Relatos de funcionários atuais e antigos apontam dificuldades de interoperabilidade entre diferentes versões da ferramenta, além de uma identidade de marca pouco clara que tem frustrado usuários corporativos e consumidores.
Uso limitado entre clientes do Microsoft 365
Levantamento citado pelo jornal indica que apenas uma parcela reduzida das empresas que assinam o pacote Microsoft 365 utiliza o Copilot de forma consistente. A preferência pelo serviço caiu nos últimos meses, enquanto rivais como ChatGPT, da OpenAI, e Gemini, do Google, atraem mais usuários.
Dados da Recon Analytics, baseados em mais de 150 mil entrevistas nos Estados Unidos, mostram que a fatia de assinantes que apontam o Copilot como principal ferramenta de IA recuou de 18,8% (julho de 2023) para 11,5% (janeiro de 2024). No mesmo período, o Gemini subiu de 12,8% para 15,7%.
Prioridade para Satya Nadella
Internamente, o Copilot é tratado como prioridade máxima pelo CEO Satya Nadella. A ambição é repetir, na IA, o movimento que fez do Azure um pilar de computação em nuvem da companhia. Apesar disso, as pressões aumentaram: após a divulgação dos resultados financeiros mais recentes, as ações da Microsoft caíram, em meio a preocupações sobre a desaceleração do crescimento do Azure.
Versões múltiplas e experiência confusa
Hoje o Copilot é oferecido em três frentes principais: para empresas (integrado ao Microsoft 365), para desenvolvedores e equipes de TI, e para o consumidor final (via navegador e aplicativo dedicado). Pesquisas internas apontam que muitos clientes não entendem as diferenças entre essas versões. Há ainda queixas de que o chatbot aparece automaticamente em documentos, aplicativos e no navegador sem solicitação prévia.
Satya Nadella teria manifestado frustração com a falta de integração entre as variantes da plataforma. A frente de consumo é liderada por Nadella, contratado em 2024 para impulsionar produtos de IA voltados ao público geral e desenvolver modelos proprietários que disputem espaço com OpenAI, Anthropic e Google.
Números de mercado
Em janeiro, a Microsoft revelou a venda de 15 milhões de licenças corporativas do Copilot dentro do Microsoft 365, que possui mais de 450 milhões de licenças pagas. No fim de 2023, a empresa contabilizava mais de 150 milhões de usuários ativos mensais na plataforma.
Mesmo assim, a base fica atrás da concorrência: o Google informa que o Gemini ultrapassa 650 milhões de usuários mensais, enquanto o ChatGPT soma cerca de 900 milhões de usuários ativos por semana.
Empresas subutilizam licenças
Analistas do Citi Research observaram que, em alguns casos, companhias empregam apenas 10% das licenças do Copilot contratadas, em parte por dificuldades de organizar dados internos. A Microsoft contesta: Jared Spataro, diretor de marketing de IA para o Workspace, afirmou ao WSJ que o uso diário do 365 Copilot cresceu dez vezes em relação ao ano anterior, sem detalhar números absolutos.
Concorrentes ganham terreno
Além de ChatGPT e Gemini, o Claude Cowork, da Anthropic, tem sido elogiado por funcionar de modo integrado em vários aplicativos do Microsoft 365 — justamente uma das lacunas apontadas no Copilot.
Limitações de infraestrutura
A construção de modelos de IA próprios também enfrenta barreiras de capacidade computacional. Recursos de processamento vêm sendo priorizados para a OpenAI e outros clientes do Azure, o que atrasou treinamentos internos. Testes recentes colocaram os principais modelos da Microsoft atrás dos rivais. O vice-presidente executivo de Nuvem e IA, Scott Guthrie, declarou que a equipe liderada por Suleyman é recente e que erguer infraestrutura em larga escala exige tempo.
Apesar dos desafios, a empresa afirma ter aumentado o investimento em poder computacional dedicado ao Copilot, apostando na monetização do serviço. Segundo analistas da UBS, porém, o mercado ainda vê a estratégia com cautela.
Com informações de Olhar Digital

