Uma revisão publicada na revista científica Molecular and Cellular Biochemistry associa a ingestão de microplásticos ao avanço de processos neurodegenerativos relacionados a Alzheimer e Parkinson. A análise foi conduzida por pesquisadores da University of Technology Sydney (UTS) e da Universidade de Auburn, nos Estados Unidos.
Partículas atravessam barreiras de proteção
Os autores verificaram que fragmentos microscópicos presentes em água, alimentos e poeira doméstica podem atravessar a barreira hematoencefálica, desencadear inflamação e danificar neurônios. Entre os mecanismos identificados estão:
- ativação excessiva do sistema imunológico no cérebro;
- estresse oxidativo intenso;
- ruptura da barreira hematoencefálica;
- comprometimento das mitocôndrias;
- lesões diretas às células nervosas.
Consequências para Alzheimer e Parkinson
No Alzheimer, as partículas favorecem o acúmulo das proteínas beta-amiloide e tau, ligadas ao declínio cognitivo. No Parkinson, estimulam a agregação de α-sinucleína, que destrói neurônios produtores de dopamina.
Embora o trabalho não prove que microplásticos causem essas doenças, os cientistas afirmam haver fortes indícios de que possam acelerar sintomas ou agravar quadros já instalados.
Exposição cotidiana
Segundo o professor associado Kamal Dua, da UTS, um adulto pode ingerir cerca de 250 gramas de microplásticos por ano — volume equivalente a um prato cheio. As principais fontes são frutos do mar contaminados, alimentos processados, embalagens plásticas e poeira gerada por roupas e carpetes sintéticos.
Estudos anteriores já indicam que, mesmo após eliminação parcial pelo organismo, parte dessas partículas se acumula em tecidos profundos, inclusive no cérebro.
Imagem: TY Lim
Medidas para reduzir o contato
Enquanto novas pesquisas investigam a entrada de microplásticos também pelos pulmões, especialistas sugerem hábitos para diminuir a exposição:
- evitar tábuas e recipientes plásticos;
- reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados;
- optar por roupas de fibras naturais;
- dispensar a secadora de roupas, que libera microfibras;
- preferir embalagens de vidro ou metal.
Os pesquisadores defendem ainda políticas públicas que limitem a produção de plástico, reforcem o controle de resíduos e regulamentem a presença de microplásticos em alimentos, a fim de proteger a saúde das próximas gerações.
Com informações de Olhar Digital

