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Megaoperação no Rio provoca 121 mortes e abre disputa entre Cláudio Castro e governo Lula

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Pelo menos 121 pessoas — entre elas quatro policiais — morreram durante a grande ação policial realizada esta semana nas comunidades do Complexo da Penha e do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. A ofensiva contra o Comando Vermelho, planejada ao longo de seis meses, desencadeou um embate político entre o governador fluminense, Cláudio Castro (PL), e o governo federal.

Acusações de omissão

Na tarde de quarta-feira (29), com a operação ainda em andamento, Castro afirmou que o Palácio do Planalto foi omisso no auxílio ao combate ao crime organizado. Segundo ele, o Rio deveria receber apoio maior, “talvez até das Forças Armadas”, porque a situação ultrapassaria os limites da segurança urbana convencional.

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O governador declarou que não solicitou ajuda desta vez porque pedidos anteriores de empréstimo de blindados militares teriam sido negados. “Falaram que, para isso, tem que ter GLO, e como o presidente já disse que é contra, entendemos a realidade”, disse.

Resposta de Brasília

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, contestou nessa mesma quarta-feira: “Não recebi nenhum pedido do governador para esta operação. Nem ontem, nem hoje”. Ele garantiu que nenhum pedido de Castro foi negado pelo ministério.

Mais tarde, o Ministério da Defesa confirmou que, em janeiro, o governo estadual solicitou à Marinha o empréstimo de veículos blindados. A Advocacia-Geral da União concluiu que o pedido só poderia ser atendido por meio de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), dependente de decreto presidencial.

Também na quarta, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a Superintendência da PF no Rio foi avisada da operação, mas optou por não aderir após avaliar o plano. Segundo ele, o caso deveria ter sido comunicado a autoridades federais de alto escalão.

Pronunciamento de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou o episódio mais de 24 horas após as críticas do governador. Pelo X (antigo Twitter), disse ter determinado que Lewandowski e o diretor da PF fossem ao Rio para se reunir com Castro. Lula defendeu ação “coordenada” que atinja “a espinha dorsal do tráfico” sem colocar inocentes em risco e lembrou a operação federal de agosto contra o PCC, além de mencionar a PEC da Segurança em tramitação no Congresso.

Críticas de Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), responsabilizou o estado fluminense por não combater o contrabando de combustíveis, apontado como fonte de recursos do crime organizado. “O dinheiro está vindo da fraude tributária e da distribuição de combustível batizado”, declarou.

Reação de governadores

Diante do impasse, governadores de oposição, entre eles Ronaldo Caiado (União-GO), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ratinho Junior (PSD-PR), realizaram reunião virtual com Castro na quinta-feira (30) para manifestar apoio político. No dia seguinte, anunciaram a criação de um consórcio interestadual para combater o crime organizado, sem participação da União.

Segurança na agenda de 2026

A escalada de violência reforça o tema da segurança pública como prioridade para as eleições de 2026. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em outubro mostra que 31% dos brasileiros apontam a violência como principal preocupação, enquanto 70% consideram crime organizado e violência problemas de âmbito nacional.

O governador Cláudio Castro é pré-candidato ao Senado, e Lula deve buscar a reeleição no próximo ano. Analistas avaliam que a troca de acusações antecipa o debate eleitoral, transformando políticas de segurança em arena de disputa entre governos estadual e federal.

Com informações de Gazeta do Povo

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