O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu nesta segunda-feira (8) os líderes do Brics por videoconferência, a partir de Brasília, para reiterar críticas às políticas tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro durou cerca de uma hora e meia.
Participaram dirigentes de China, Rússia, Índia, África do Sul, Irã, Egito, Indonésia, Emirados Árabes Unidos e Etiópia. Na abertura, Lula afirmou que os alicerces da ordem internacional de 1945 estão sendo “corroídos” por decisões unilaterais que, segundo ele, transformam o livre-comércio em instrumento de pressão política.
Tarifas e liberdade comercial
O presidente brasileiro, que exerce a presidência rotativa do bloco, voltou a apontar as tarifas norte-americanas como ameaça direta aos países emergentes. Ele também criticou a possibilidade de Washington impor sanções secundárias a nações que mantêm relações com a Rússia, medida que, na avaliação de Lula, limitaria a “liberdade de fortalecer o comércio com países amigos”.
Para sustentar o discurso, o petista citou a representatividade do Brics: 40% do Produto Interno Bruto mundial, 26% do comércio internacional e quase metade da população do planeta. Segundo Lula, esses números dão legitimidade ao grupo para liderar uma “refundação” do sistema multilateral de comércio.
Agenda internacional
A videoconferência também funcionou como preparação para a 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que começa em 23 de setembro, em Nova York. Lula mencionou ainda negociações para a Cúpula de Líderes do G20 e para a COP 30, marcada para novembro.
Conflitos e questões humanitárias
O chefe do Executivo brasileiro cobrou solução negociada para a guerra na Ucrânia, condenou a permanência de Israel na Faixa de Gaza e a ameaça de anexação da Cisjordânia, e defendeu o fim imediato das ações militares nos territórios palestinos. Lula informou que o Brasil passou a integrar, como parte interessada, a ação movida pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça.
Imagem: Antônio Lacerda
Ele também repudiou atentados do Hamas, sequestros e assassinatos de civis, além de ataques ocorridos na Caxemira, episódios classificados por Lula como terrorismo.
O encontro encerrou-se sem anúncio de novas medidas, mas com a promessa de manter a coordenação do bloco até a Assembleia da ONU.
Com informações de Gazeta do Povo

