O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou contrariado com o anúncio de que a Caixa Econômica Federal pretende lançar sua própria plataforma de apostas on-line, batizada internamente de “bet da Caixa”, e deve convocar o presidente do banco, Carlos Vieira, para discutir o assunto assim que retornar de viagem à Ásia.
Vieira informou, em entrevista publicada nesta semana pelo site Money Times, que a operação começaria no fim de novembro, com expectativa de arrecadar até R$ 2,5 bilhões em 2026. A iniciativa, no entanto, entrou em rota de colisão com o discurso do governo, que tem defendido a taxação das casas de apostas e apontado o vício em jogos como problema de saúde pública, especialmente entre as camadas de menor renda.
Contradição com política econômica
Assessores do Palácio do Planalto e integrantes da cúpula da Caixa confirmaram o desconforto de Lula. Um auxiliar presidencial afirmou ao portal UOL que a ordem será cancelar o projeto. A equipe econômica, comandada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem buscado aumentar a taxação sobre o setor após a queda da Medida Provisória 1303, derrubada pela Câmara dos Deputados. Haddad prometeu enviar novos projetos de lei para retomar a cobrança.
No início de outubro, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda publicou instrução normativa proibindo apostas feitas com recursos de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), reforçando a preocupação oficial com o endividamento de famílias vulneráveis.
Indicação política mantida
Carlos Vieira, funcionário de carreira da Caixa, foi indicado para a presidência do banco em 2023 pelo deputado Arthur Lira (PP-AL) em acordo com o Centrão. Mesmo após PP e União Brasil deixarem a base governista, o executivo permaneceu no comando da instituição.
Reações negativas
A possibilidade de a Caixa ingressar no mercado de apostas provocou críticas de opositores e aliados do governo. A conselheira do Conselhão Nath Finanças afirmou nas redes sociais que o banco público “vai criar mais uma casa de apostas para arrecadar ainda mais”. Já os senadores Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e Eduardo Girão (Novo-CE) anunciaram que recorrerão à Justiça para impedir a iniciativa, alegando risco de endividamento das famílias.
Imagem: Marcelo Camargo
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) classificou a ideia como “um dos maiores retrocessos morais e sociais” recentes, enquanto o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) destacou, em nota, a “contradição profunda” de um banco público social atuar no mesmo mercado de empresas que lucram com a exploração de jogos de azar.
Até o momento, a Caixa não se manifestou oficialmente sobre a possibilidade de cancelamento.
Com informações de Gazeta do Povo

