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Tecnologia LiDAR revela civilização maia densa e em transformação, não um colapso repentino

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Pesquisas apoiadas por mapeamento a laser estão reformulando o entendimento sobre os maias. Em vez de um desaparecimento súbito, arqueólogos apontam para um processo de mudanças graduais, migrações e reorganização social entre 600 e 900 d.C.

Laser expõe cidades escondidas

A principal virada veio com o LiDAR (Detecção e Medição de Distâncias por Luz). Instalados em aviões, sensores disparam milhões de pulsos de laser que atravessam a copa das árvores e retornam ao solo, permitindo criar modelos 3D do terreno. O método revelou:

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  • Extensa malha de estradas elevadas conectando assentamentos;
  • Sistemas de terraços, canais de irrigação e reservatórios de água;
  • Cidades com praças centrais rodeadas por áreas residenciais planejadas.

Na Guatemala, por exemplo, a antiga cidade de El Mirador apareceu ligada a mais de 400 povoados. Estruturas antes confundidas com colinas naturais foram identificadas como obras monumentais.

População maior do que se pensava

Estudo liderado pelo arqueólogo Francisco Estrada-Belli, da Universidade Tulane (EUA), estimou a população maia no Período Clássico Tardio em cerca de 16 milhões de pessoas, superando cálculos anteriores (7 a 11 milhões). A densidade demográfica poderia exceder a da península Itálica no auge do Império Romano, ainda que em área menor.

Sociedade altamente estruturada

Para sustentar tantos habitantes em solos frágeis e clima alternando secas e chuvas intensas, os maias criaram complexos projetos agrícolas e hidráulicos. A escala das obras sugere planejamento estatal e profundo conhecimento ambiental.

Decréscimo paulatino, não colapso

Evidências climáticas e registros de conflitos indicam tensões internas. Em vez de um fim abrupto, houve redistribuição populacional. Após erguer sua última estela em 869 d.C., Tikal perdeu moradores, enquanto centros como Chichén Itzá e Uxmal ganharam destaque.

Herança viva e desafios atuais

Mais de 11 milhões de descendentes maias vivem hoje no México, Guatemala, Belize, Honduras, El Salvador e Estados Unidos. Muitos enfrentam pobreza e lutam por reconhecimento cultural e direitos territoriais. A memória histórica repercute, inclusive, na identificação de vítimas da guerra civil guatemalteca (1960-1996), que deixou cerca de 200 mil mortos, a maioria indígena.

Enquanto isso, sítios arqueológicos sofrem ameaças de desmatamento, ocupação ilegal e atividades criminosas. Especialistas correm para registrar o patrimônio antes que se perca, usando a mesma tecnologia que está reescrevendo a história maia.

Com informações de Olhar Digital

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