Brasília – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, informou nesta quinta-feira (30.out.2025) que o “escritório extraordinário” criado para apoiar o Rio de Janeiro após a megaoperação que resultou em 121 mortes já está em funcionamento. Segundo o ministro, a estrutura – um grupo virtual de articulação entre governo federal e administração estadual – não representa uma “bala de prata” contra o avanço das facções criminosas.
Peritos federais enviados
Lewandowski declarou ter autorizado o envio imediato de 20 peritos da Polícia Federal para auxiliar em necropsias, exames balísticos e análises de DNA. Outros 10 a 20 especialistas poderão reforçar a equipe caso a Força Nacional solicite. O governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi comunicado da medida em ligação telefônica, de acordo com o ministro.
Objetivo é agilizar troca de informações
O escritório extraordinário foi criado na véspera, após reunião entre Lewandowski e Castro, que buscou superar acusações mútuas sobre a responsabilidade pela operação policial. O grupo pretende eliminar entraves burocráticos, compartilhar inteligência e disponibilizar recursos federais conforme a evolução das ações de segurança no estado.
Próximos passos contra as facções
Na avaliação do ministro, a operação enfraqueceu o Comando Vermelho ao apreender 118 armas, incluindo 91 fuzis. O passo seguinte, disse, será “sufocar as finanças” da facção por meio de um inquérito ampliado, nos moldes da Operação Carbono Oculto, que bloqueou mais de R$ 1 bilhão do PCC em São Paulo.
Lewandowski lembrou que, por decisão do STF na ADPF das Favelas, cabe à Polícia Federal investigar a atuação das facções no Rio em conjunto com órgãos fazendários, visando descapitalizar o crime. Ele citou ainda a Proposta de Emenda Constitucional da Segurança Pública, parada na Câmara desde abril, e o projeto de lei Antifacções, que o governo pretende enviar ao Congresso.
Sem pedido de GLO
O ministro afirmou que Cláudio Castro não solicitará uma Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), medida que pressupõe incapacidade das forças estaduais em garantir a segurança.
Imagem: Tomaz Silva
Fronteiras e tráfico de armas
Ao negar a existência de solução única para o problema, Lewandowski destacou a dificuldade de fiscalizar fronteiras e relatou acordos de cooperação com países vizinhos. Segundo ele, armas entram no Brasil desmontadas e até impressas em 3D, o que dificulta a detecção.
O chefe do MJSP comparou o crescimento das organizações criminosas a fenômenos como terrorismo e guerras, mas reiterou que o governo não as classifica oficialmente como terroristas.
Com informações de Gazeta do Povo

