O ex-marqueteiro do PT, João Santana, afirmou nesta quinta-feira (12) que a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da primeira-dama, Janja da Silva, no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói pode resultar em perda de apoio eleitoral para o petista.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Santana argumentou que o problema não seria uma eventual vaia na Sapucaí, mas a repercussão “fora das bolhas” de foliões em todo o país. “Imagine a reação no interior de São Paulo e em outros bolsões do Sudeste e Sul, onde Lula precisa desesperadamente de voto. Imagine no meio evangélico”, alertou. Ele também questionou o possível ganho de imagem no Nordeste, tradicional reduto do presidente.
A Acadêmicos de Niterói levará ao sambódromo o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que conta a trajetória do chefe do Executivo. A expectativa é que Janja desfile em um dos carros alegóricos, enquanto Lula acompanhe a apresentação de um camarote da Prefeitura do Rio.
Santana, responsável pela campanha de reeleição de Lula em 2006 e pelas campanhas de Dilma Rousseff (PT) em 2010 e 2014, lembrou que a ligação entre Carnaval e política “sempre foi um jogo de equilíbrio delicado”. Segundo ele, grandes eventos de rua tendem mais a “demolir” do que a construir a imagem de figuras públicas. “Quando o espetáculo não é controlado à mão de ferro, o tiro sai pela culatra”, declarou.
Para o publicitário, apesar de o enredo ter surgido como iniciativa da agremiação, a aproximação direta do casal presidencial mudou a natureza do ato. “Deixou de ser espontâneo”, concluiu.
Orientações do Planalto para o Carnaval
A Comissão de Ética Pública da Presidência da República divulgou recomendações a autoridades federais sobre a participação em eventos carnavalescos, após a oposição acionar a Justiça Federal e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile em homenagem a Lula. Até agora, todos os pedidos foram rejeitados.
Entre as diretrizes, membros do governo não poderão receber diárias ou passagens relacionadas ao Carnaval, devem recusar convites de empresas privadas que possam gerar conflito de interesses e precisam evitar manifestações que configurem propaganda eleitoral antecipada.
Com informações de Gazeta do Povo

