O prefeito do Recife, João Campos (PSB-PE), afirmou que a polêmica envolvendo a nomeação de um candidato para vaga reservada a pessoa com deficiência (PCD) trata-se de “oportunismo político”. A declaração foi feita em vídeo divulgado nesta quarta-feira (7/1), 18 dias após o caso vir à tona.
No material, o prefeito citou o irmão caçula, que tem síndrome de Down, para reforçar que a pauta da inclusão é “causa de vida” para ele. Campos não mencionou o parentesco do nomeado com o magistrado que arquivou investigação contra a gestão municipal.
Nomeação e recuo
Em 20 de dezembro, o chefe do Executivo recifense nomeou Lucas Vieira Silva para o cargo efetivo de procurador municipal. O candidato apresentou um laudo médico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) três anos após a realização do concurso, ocorrido em dezembro de 2022. Inicialmente inscrito na ampla concorrência, Lucas passou a disputar a vaga destinada a PCDs, saindo da 63ª posição para o primeiro lugar na nova homologação publicada em 19 de dezembro.
Lucas é filho do juiz Rildo Vieira da Silva, que 46 dias antes havia arquivado pedido de investigação sobre contratos de R$ 100 milhões firmados pela Prefeitura do Recife. Ele também é filho de Maria Nilda Silva, procuradora do Ministério Público de Contas de Pernambuco.
Dez dias após a nomeação, a Prefeitura anulou o ato e convocou o advogado Marko Venicio dos Santos, que figurava como primeiro colocado entre os candidatos com deficiência na homologação original do certame.
Questionamento sobre o procedimento
Ao falar à imprensa, Marko Venicio explicou que não contestou a deficiência de Lucas, mas sim o fato de o laudo ter sido entregue fora do prazo previsto no edital. De acordo com as regras, o documento médico e a avaliação biopsicossocial deveriam ser apresentados no ato da inscrição.
“O que eu questiono é exclusivamente o procedimento administrativo da Prefeitura”, declarou o candidato ao recuperar a vaga.
Com informações de Metrópoles

