O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou neste sábado (7) que a democracia brasileira é “problemática” e “um pouco frágil” porque “a classe dominante do Brasil entende o Estado como o dela”. A declaração foi feita em São Paulo, durante o lançamento do livro “Capitalismo superindustrial – caminhos diversos, destino comum”.
Haddad reconheceu a carga ideológica da obra. “Não é muito recomendável que o ministro da Fazenda publique um livro desse”, disse, referindo-se ao posto que ocupa no governo federal.
Distinção entre Marx e União Soviética
Ao comentar a inspiração teórica do livro, o ministro criticou o regime da antiga União Soviética. Ele afirmou que “nunca curtiu” o país socialista e que sua aversão o levou a estudar Karl Marx. Segundo Haddad, há divergências entre a teoria do filósofo alemão e as práticas adotadas sob o comando de Josef Stalin. “Os caras estão fazendo aquilo na União Soviética em nome desses caras? Tem alguma coisa confusa acontecendo. Esse cara aqui não pode ter gerado uma experiência tão autoritária quanto aquela”, declarou.
Publicação antes de deixar o cargo
Haddad revelou que pretendia lançar o livro antes de deixar o Ministério da Fazenda. A obra reúne artigos escritos durante seu mestrado em Economia e doutorado em Filosofia. “A razão pela qual se entra na política é tentar encontrar caminhos”, justificou.
Trajetória pessoal
O ministro relembrou que, na juventude, mantinha distância da leitura. “Sou filho de uma pessoa que nunca frequentou uma escola. Meu pai veio do Líbano aos 24 anos como lavrador; minha mãe era normalista e virou dona de casa. Até entrar na faculdade de Direito, nunca tinha lido um livro que não fosse para o vestibular”, contou.
Planos políticos
Candidato do PT à Presidência em 2018, Haddad vem sendo pressionado pelo partido a disputar o governo paulista em 2026. Ele, porém, declarou que pretende atuar na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e confirmou que deixará a equipe econômica.
Com informações de Gazeta do Povo

