Gurupi, no sul do Tocantins, celebra 67 anos de emancipação política. Reconhecida pela hospitalidade, a cidade também carrega narrativas divergentes sobre o início do povoamento e a origem de seu nome.
Primeiros moradores
Depoimentos de pioneiros relatam que a ocupação começou nas trilhas do antigo Norte goiano, em áreas então cobertas por mata virgem — hoje chamadas Mata de Gurupi — e extensas pastagens naturais. Desbravadores e garimpeiros passaram a circular pela região a partir de meados do século XX, motivados pela extração de cristais em municípios vizinhos como Cristalândia, Dueré e Formoso do Araguaia.
Chegada de 1947
A versão mais difundida indica 1947 como marco inicial do povoamento, com a chegada de Benjamim Carvalho da Silva, conhecido como Bião, acompanhado de Maurílio Resende, João Batista de Souza, Domingos Sena, Antônio Ramalho e Antônio Raiz. O grupo se fixou próximo ao córrego Pouso do Meio, instalando criação de gado e pontos de apoio para viajantes.
Disputas sobre o topônimo
O nome Gurupi divide opiniões entre pesquisadores. O escritor Moura Lima defende origem tupi, significando “rio das roças”, em analogia ao Rio Gurupi, que separa Maranhão e Pará. Ele sustenta que o primeiro núcleo de colonização foi a fazenda Pedra Preta, na década de 1920, comandada por Zé Vaqueiro, Bião, Rufino Ciel e Zé Praxedes.
O historiador e professor Roberto Ribeiro, o Robertão, apresenta outra leitura: segundo ele, o termo Gurupi já designava as matas e o rio locais e estaria associado a indígenas identificados como Gurupi ou a um cacique de mesmo nome. Robertão considera 15 de maio de 1947, data da chegada de Benjamim Carvalho, como o início oficial do povoado que mais tarde se tornaria município, então distrito de Porto Nacional.
Debate linguístico
Moura Lima questiona interpretações que atribuem a Gurupi o significado de “diamante puro”, ideia divulgada pelo historiador Adauto Cordeiro Cavalcante em 1968. Para ele, a tradução carece de base filológica; especialistas em tupi consultados por Lima apontam “rio das roças” como etimologia correta. O pesquisador também contesta a existência histórica de um Cacique Gurupi, alegando falta de registro documental e presença indígena esporádica na área.
Memória em construção
As diferentes versões sobre o nome e o processo de colonização refletem a complexidade da formação histórica de Gurupi. Enquanto pesquisadores apresentam hipóteses distintas, a datação de 67 anos de emancipação reforça o percurso de crescimento urbano e social do município, que segue buscando consolidar sua identidade a partir de patrimônios materiais e imateriais.
Os depoimentos citados foram colhidos em novembro de 2004 e 2010.
Com informações de atitudeto.com.br

