Eleito em 2022 sob o discurso de “reconstruir” o país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerra o terceiro ano de mandato com pelo menos dez promessas de campanha sem entrega concreta ou apenas parcialmente cumpridas. A situação tem sido explorada por opositores às vésperas da disputa presidencial de 2026.
1. Picanha e cerveja continuam caras
Lula afirmou em 2022 que a população voltaria a “comer picanha e tomar cervejinha”. Depois de queda de 10,69 % no preço da carne em 2023, o valor da picanha subiu 8,74 % em 2024 e 2,82 % em 2025, segundo o IPCA. A cerveja acumulou altas de 4,5 % e 5,97 % nos mesmos anos. Pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em abril de 2025 apontou que 68,4 % dos entrevistados ainda veem dificuldade para comprar esses itens.
2. Fim do sigilo de 100 anos não se concretizou
A campanha prometeu acabar com sigilos centenários. Embora o governo tenha derrubado restrições de documentos do período Bolsonaro, novos sigilos sobre a agenda da primeira-dama, Janja da Silva, foram impostos em 2023. Norma editada pela Controladoria-Geral da União, em 2024, retirou a “presunção automática” de sigilo, mas a Lei de Acesso à Informação continua permitindo a medida.
3. Compromisso de não disputar reeleição foi abandonado
Em 2022 Lula declarou que governaria por apenas um mandato. Em entrevista na Indonésia, em outubro de 2025, confirmou que tentará um quarto mandato em 2026: “Eu vou disputar um quarto mandato no Brasil”.
4. Ministério da Segurança Pública segue no papel
A separação da Segurança Pública da Justiça foi defendida na campanha, mas descartada durante a transição. A ideia voltou a ser ventilada em janeiro de 2026 pela ministra Gleisi Hoffmann, condicionada à aprovação da PEC da Segurança no Congresso.
5. Protagonismo internacional ficou limitado
Apesar do aumento de viagens e discursos em fóruns multilaterais, analistas apontam perda de influência. Críticas concentram-se no alinhamento a governos de Rússia, China, Venezuela e Cuba. A fracassada COP 30, em Belém, reforçou a percepção de resultado aquém do prometido.
6. Regulação das redes sociais não avança
O presidente defende desde 2021 regras para plataformas digitais. O chamado PL das Fake News não foi votado e outras propostas emperraram por falta de consenso, mantendo o tema sem definição legislativa.
7. Autoridade Climática não foi criada
Anunciada como prioridade e condição de apoio de Marina Silva em 2022, a nova estrutura enfrentou resistência interna e foi engavetada em 2024, após divergências sobre aumento da burocracia e sobreposição de competências.
8. Revisão da reforma trabalhista parou
Lula prometeu rever pontos centrais da reforma de 2017, mas nenhuma proposta formal chegou ao Congresso. O governo passou a destacar a geração de empregos formais desde 2023, sem indicar novo calendário para a mudança na lei.
9. Direitos para trabalhadores de aplicativo seguem indefinidos
Grupos de trabalho foram instalados e o ministro Guilherme Boulos reafirmou a prioridade em janeiro de 2026, porém não houve acordo com empresas e representantes dos motoristas e entregadores. Reunião prevista para fevereiro foi adiada sem nova data.
10. Promessas recentes têm alto apelo e baixa viabilidade
Nos últimos meses o Planalto passou a defender fim da escala 6×1 e transporte público gratuito nacionalmente. Empresários e especialistas classificam ambas como inviáveis financeiramente; estudo da CNT estima custo anual de R$ 90 bilhões para a tarifa zero. Até agora, não há textos ou fontes de custeio definidos.
Ao ser questionado sobre o conjunto das promessas, o governo afirmou, em nota, que trabalha desde 2023 em um “projeto de reconstrução de políticas públicas e sociais” e mencionou “avanços importantes” sem detalhar prazos para as entregas pendentes.
Com informações de Gazeta do Povo

