Brasília – A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, intensificou nesta terça-feira (24) as críticas a reportagens que apontam impactos econômicos negativos caso o Brasil adote a jornada de cinco dias de trabalho por dois de descanso, substituindo o modelo 6×1.
Em publicações nas redes sociais, Gleisi contestou levantamentos citados pela imprensa que projetam alta da inflação, aumento do desemprego e elevação de custos para as empresas. Um dos estudos mencionados calcula acréscimo anual de R$ 267 bilhões, sobretudo para micro e pequenas companhias, enquanto a FecomercioSP fala em crescimento de 22% no valor da hora trabalhada e risco de maior informalidade.
A ministra dirigiu a crítica mais recente a uma matéria do jornal Valor Econômico sobre possíveis demissões e pressão inflacionária: “É impressionante como setores que se dizem avançados em economia e tecnologia querem manter relações trabalhistas do século passado”, escreveu.
Legislação diferenciada
Gleisi sustentou que o governo pretende apresentar um texto que considere especificidades de cada segmento produtivo. “Não vamos permitir que a busca de lucros de alguns se sobreponha ao direito da maioria de ter vida além do trabalho”, declarou, citando ainda Estadão e Folha de S.Paulo entre os alvos de suas críticas.
Segundo a ministra, um estudo do Ipea demonstra que a economia “suporta perfeitamente” a redução para 40 horas semanais, assim como absorveu a passagem de 48 para 44 horas aprovada na Constituinte de 1988.
Tramitação no Congresso
A proposta, defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como prioridade em 2026, reúne projetos dos deputados Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG) que alteram a Constituição para reduzir a jornada semanal e ampliar o descanso.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pretende votar o texto em plenário até maio. Porém, PL e União Brasil articulam adiar a análise para depois das eleições de outubro. A estratégia foi discutida em jantar na segunda-feira (23) com líderes partidários, empresários e o dirigente do União Brasil, Antônio Rueda, que sugeriu segurar a matéria na Comissão de Constituição e Justiça.
O fim da escala 6×1 é a principal bandeira das centrais sindicais para as comemorações do Dia do Trabalhador em 1º de maio.
Com informações de Gazeta do Povo

