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Fundo Florestas Tropicais para Sempre é lançado na COP30, mas detalhes seguem indefinidos

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Belém (PA) – 17 nov. 2025. Anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma das principais entregas da COP30, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) foi apresentado como modelo inédito para remunerar países que mantêm suas florestas em pé. Apesar do discurso de inovação, especialistas apontam pontos ainda pouco claros sobre financiamento, governança e coexistência com outros instrumentos de proteção ambiental.

Quanto dinheiro o fundo pretende levantar

A proposta prevê captar cerca de US$ 125 bilhões, sendo US$ 25 bilhões de governos e US$ 100 bilhões de investidores privados. O plano é aplicar o capital em títulos do mercado financeiro mundial e utilizar rendimentos anuais estimados entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões para remunerar nações que comprovem baixo índice de desmatamento.

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Pelos critérios iniciais, cada hectare preservado renderá aproximadamente US$ 4 por ano, desde que o desmatamento fique abaixo de 0,5% ao ano.

Promessas anunciadas até agora

Durante a cúpula, foram apresentados compromissos de pouco mais de US$ 5 bilhões: Brasil e Indonésia prometeram US$ 1 bilhão cada, a França anunciou US$ 500 milhões e a Noruega condicionou aporte de até US$ 3 bilhões a não ultrapassar 20% do total arrecadado. O valor é insuficiente para atingir a meta de capital inicial de US$ 25 bilhões, considerada essencial para o início das operações.

Dúvidas sobre sustentabilidade financeira

O coordenador de Sustentabilidade da BMJ Consultores, Felipe Ramaldes, vê risco na dependência de recursos públicos externos em cenário de volatilidade econômica global. Já a advogada Patrícia Arantes, da Sociedade Rural Brasileira, avalia que a combinação de verbas públicas e privadas aplicadas em títulos de dívida de países em desenvolvimento pode sofrer instabilidades, além de priorizar o retorno a investidores privados e transferir maior risco aos governos.

Governança e transparência

Ainda não há definição detalhada sobre mecanismos de fiscalização, auditoria e controle. O governo brasileiro citou o Banco Mundial como possível gestor, mas não esclareceu regras de tomada de decisão nem participação dos países beneficiários. Também está pendente a definição de métricas para evitar dupla contagem entre o TFFF e mercados de carbono.

Soberania em debate

Para o advogado ambiental Antônio Fernando Pinheiro Pedro, o fundo pode abrir espaço para interferência externa em políticas internas de manejo florestal, uma vez que investidores poderiam influenciar decisões sobre territórios.

Beneficiários e povos tradicionais

O planalto menciona que cerca de 70 países tropicais poderão disputar os recursos e anuncia reserva de 20% para povos indígenas e comunidades tradicionais. Porém, não há critérios públicos sobre como essas populações serão selecionadas nem qual será o papel de ONGs ou administrações locais na aplicação do dinheiro.

A COP30 termina nesta sexta-feira, e o presidente Lula avalia retornar a Belém para tentar avançar nas negociações de financiamento climático e garantir apoio adicional ao TFFF.

Com informações de Gazeta do Povo

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