O venezuelano Johan Petrica, considerado um dos criadores da facção Tren de Aragua e dado como morto em seu país, teria cruzado a fronteira com o Brasil durante anos e registrado um filho – hoje com 7 anos – no estado de Roraima.
Recompensa de US$ 4 milhões
Em julho de 2024, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou recompensa de US$ 4 milhões por informações que levassem ao paradeiro de Petrica, descrito como um dos três fundadores da organização criminosa.
Referência interna
Segundo a jornalista venezuelana Roanna Rísquez, especializada no grupo, o atual líder do Tren de Aragua, Héctor Rusthenford Guerrero Flores, o Niño Guerrero, trata Petrica como “papá”. Para estudiosos da facção, ele seria o verdadeiro chefe e o responsável pelo modelo de “governança” criminosa iniciado no presídio de Tocorón e exportado para comunidades como San Vicente e Las Claritas.
Desaparecimento em 2015
Petrica deixou a cena pública após uma operação policial em San Vicente, em 2015. Investigações indicam que ele migrou para Las Claritas, área de garimpo de ouro no estado venezuelano de Bolívar, fronteira com o norte de Roraima, passando a circular livremente pela região. Moradores o conheciam pelos apelidos Viejo Darwing ou simplesmente El Viejo. Lá, retomou a atuação como líder sindical de mineradores e comandou atividades ilícitas ligadas à mineração de ouro.
Filho brasileiro
No início de 2022, autoridades brasileiras consultaram a jornalista Roanna Rísquez sobre pedidos de registro civil apresentados por venezuelanos. Entre eles estava um homem identificado como Yohan José Romero, que buscava registrar o filho, então com 4 anos. Ao analisar o nome, Rísquez apontou que se tratava de Johan Petrica. Não há confirmação se o próprio traficante compareceu ao cartório ou se delegou a tarefa a outra pessoa.
Facção em expansão
Originado no sistema penitenciário venezolano, o Tren de Aragua expandiu-se pelo país com a transferência de detentos e, depois, aproveitou a migração em massa para avançar pela América do Sul. Autoridades brasileiras estimam presença do grupo em pelo menos seis estados: Roraima, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A facção teria firmado parceria com o Primeiro Comando da Capital (PCC) para garantir rotas seguras de distribuição de drogas.
Pressão dos Estados Unidos
Em 2020, o Departamento de Justiça dos EUA acusou o então presidente Nicolás Maduro de liderar o suposto Cartel de Soles. A denúncia sustentou a escalada de tensões que culminou na invasão da Venezuela por forças norte-americanas em 3 de janeiro de 2025, quando Maduro foi capturado. Após a prisão, novo documento do governo dos EUA descreveu o venezuelano como participante e protetor de um esquema de corrupção ligado ao tráfico, citando o Cartel de Soles apenas como termo genérico para a atividade narcotraficante da elite do país.
Com informações de Metrópoles

