A Fundação Solar, organização não governamental que tem Stella Vorcaro, filha do banqueiro Daniel Vorcaro, como embaixadora, retirou do ar sua página no Instagram no fim de semana anterior a 9 de março de 2026. A exclusão ocorreu depois de publicações jornalísticas relacionarem a entidade ao escândalo que envolve o liquidado Banco Master.
Ao tentar acessar o perfil nesta segunda-feira (9), a reportagem encontrou o aviso de que a página “não está disponível”. O site da instituição permanece ativo. Um pedido de posicionamento encaminhado pela imprensa na sexta-feira (6) ainda não foi respondido.
Ligação com investigado pela Polícia Federal
Documentos apontam o empresário Leonardo Augusto Palhares como único sócio-administrador da ONG. Ele também é sócio da Varajo Consultoria Empresarial, empresa que, segundo a Polícia Federal, fazia pagamentos considerados propina a dois servidores de carreira do Banco Central. A suspeita integra a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na semana anterior.
Embora Palhares seja mencionado na investigação, nem a Fundação Solar nem Stella Vorcaro estão sob apuração nesta etapa.
Conta no Banco Master e empresa de arrecadação
A ONG utiliza uma conta no Banco Master para receber doações. O fluxo financeiro é feito por meio da Spread of Love and Respect, empresa registrada em 10 de fevereiro de 2025, em Belo Horizonte, período em que o Banco Master já enfrentava dificuldades.
Segundo registro societário, o nome de Stella Vorcaro não aparece entre os sócios formais da captadora de recursos.
Origem e objetivos da fundação
Em sua apresentação institucional, a Fundação Solar afirma ter nascido após trabalho voluntário de Stella Vorcaro na África. A entidade diz atuar em comunidades vulneráveis do continente com projetos nas áreas de educação, saúde, tecnologia, cultura, formação de lideranças e infraestrutura.
Conexões apontadas pela Operação Compliance Zero
Relatórios da Polícia Federal indicam que, além da Varajo, Palhares participa da Super Empreendimentos e Participações S.A., empresa suspeita de efetuar pagamentos a integrantes de um grupo descrito como milícia privada montada por Vorcaro para monitorar e pressionar adversários. As comunicações entre os participantes ocorriam, segundo os investigadores, em um chat intitulado “A Turma”.
A empresária Ana Cláudia Queiroz de Paiva, sócia de Palhares, teria colaborado nas movimentações financeiras identificadas pela polícia.
O Banco Central abriu investigação técnica sobre o Banco Master após reunião fora da agenda oficial entre Daniel Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocasião em que o banqueiro alegou ser alvo de perseguição.
O espaço segue aberto para manifestação da Fundação Solar.
Com informações de Gazeta do Povo

