O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passou a ser representado oficialmente pelo advogado criminalista Guilherme Suguimori Santos nas investigações da Operação Sem Desconto, que apura o esquema conhecido como “Farra do INSS”.
Em 19 de janeiro, o defensor protocolou pedido de acesso ao inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a defesa ainda não teve contato com os autos e aguarda decisão da Corte para analisar o material.
Investigação da Polícia Federal
Lulinha é investigado pela Polícia Federal como possível sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como líder de um esquema milionário de fraudes previdenciárias. A corporação suspeita que o empresário tenha recebido mesada de R$ 300 mil paga por Antunes.
O nome de Lulinha surgiu em três conjuntos de dados obtidos após quebra de sigilo de pessoas ligadas ao lobista, preso desde setembro. Apesar das citações, a PF informou ao ministro André Mendonça que ainda não há elementos objetivos que indiquem participação direta do filho do presidente no esquema.
Entregas e transferências citadas nos autos
Mensagens analisadas pela PF mostram que, em dezembro de 2024, Antunes determinou a entrega de um medicamento no apartamento onde Lulinha morava em São Paulo. A encomenda estava em nome de Renata Moreira, esposa do investigado. Na ocasião, Lulinha afirmou desconhecer o assunto e negou proximidade com o lobista.
Conversas entre Antunes e um funcionário apontam ainda a transferência de R$ 1,5 milhão para a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Em uma das mensagens, o lobista justificou que o valor seria “para o filho do rapaz”, frase considerada pela PF uma possível referência a Lulinha. Mesmo após a deflagração da primeira fase da operação, em abril de 2025, Luchsinger manteve contato com Antunes, segundo a investigação.
Defesa formalizada
Até a contratação de Suguimori, Lulinha não havia nomeado advogado sob o argumento de que não figurava como investigado. As manifestações à imprensa eram feitas por Marco Aurélio de Carvalho, do grupo Prerrogativas, que ressaltava não ser seu representante legal.
“Nossa intenção é conhecer o conteúdo do inquérito que fundamenta tantas publicações na mídia”, declarou Suguimori, sócio do escritório VAS Advogados.
Com a solicitação de acesso protocolada, a defesa aguarda a liberação dos autos pelo STF para definir os próximos passos.
Com informações de Metrópoles

