Uma análise publicada pelo jornalista Reinaldo Azevedo aponta que líderes de direita que se apresentam como alternativa a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao bolsonarismo não conseguiram, até agora, construir um nome viável para a eleição presidencial de 2026. Segundo o autor, a tentativa de lançamento de um candidato “nem-nem” — proposta defendida, entre outros, por Gilberto Kassab, presidente do PSD — enfrenta dificuldades porque esses grupos evitam romper de forma clara com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O que dizem as pesquisas
No cenário de primeiro turno testado pelo Instituto Datafolha em fevereiro, Lula aparece com 38% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL) com 32%. Os demais pré-candidatos somam:
- Ratinho Jr. (PSD) – 7%
- Romeu Zema (Novo) – 4%
- Renan Santos (Missão/MBL) – 3%
- Aldo Rebelo (PDC) – 2%
Em simulações adicionais, Ronaldo Caiado (União Brasil) marca 4% e Eduardo Leite (PSDB) 3%.
No eventual segundo turno, há empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (46% a 43%) e também entre Lula e Ratinho Jr. (45% a 41%), considerando a margem de erro da pesquisa.
Oportunidades desperdiçadas
De acordo com Azevedo, a autodenominada “direita democrática” teve várias ocasiões para se afastar do bolsonarismo — entre elas, a condução da pandemia de Covid-19, os episódios que antecederam os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e, mais recentemente, as tarifas impostas pelo governo Donald Trump que atingiram ministros do Supremo Tribunal Federal. Ainda assim, governadores como Ratinho Jr. (PR), Ronaldo Caiado (GO), Eduardo Leite (RS) e Romeu Zema (MG) preferiram minimizar críticas ao ex-presidente ou defender anistia para ele.
Comparação com o MBL
O colunista observa que o recém-criado partido Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), alcançou percentuais semelhantes aos de nomes com maior estrutura partidária porque, em temas pontuais, adotou posicionamento mais claro de oposição a Bolsonaro, ainda que mantenha postura antilulista.
Referência bíblica
Para ilustrar a ausência de um discurso distinto, o texto recorre à Primeira Epístola aos Coríntios, na qual o apóstolo Paulo adverte que “se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?”. A passagem é usada para reforçar a ideia de que a indefinição do campo “nem-nem” impede a consolidação de uma terceira via competitiva.
Segundo o autor, enquanto a esquerda mantém Lula como principal nome e o PL segue unido em torno da família Bolsonaro, os eventuais rivais se aproximam do mesmo eleitorado conservador sem oferecer “sons distintos”, o que, na prática, inviabiliza uma alternativa fora da polarização.
Com informações de Metrópoles

