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Ex-procurador do INSS e esposa depõem à CPMI sobre R$ 12 milhões recebidos e reserva de apartamento de R$ 28 milhões

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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes na Previdência ouviu, nesta quinta-feira (23), o ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, e a esposa dele, a médica e empresária Thaisa Hoffmann Jonasson. O casal é suspeito de participar de um esquema que teria desviado recursos de aposentadorias e proporcionado um acréscimo patrimonial de aproximadamente R$ 18 milhões.

Transferências milionárias

Documentos enviados à CPMI indicam que Virgílio recebeu R$ 11,9 milhões de empresas ligadas a associações que realizavam descontos irregulares em benefícios previdenciários. Cerca de R$ 7,5 milhões teriam sido repassados por companhias relacionadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, apontado como lobista do grupo. Parte dos valores, segundo as investigações, passou por contas e firmas controladas por Thaisa, como a Curitiba Consultoria, a THJ Consultoria e o Centro Médico Vita Care.

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Bens de luxo

O casal chamou atenção ao reservar, em 5 de novembro de 2023, o apartamento 7001 do edifício Senna Tower, em Balneário Camboriú (SC), avaliado em R$ 28 milhões. A construtora cancelou a negociação em julho de 2024, alegando risco de bloqueio judicial do imóvel. Além disso, foram identificadas a compra de um Porsche Cayenne híbrido de R$ 789 mil, a reserva de um Audi A5 de R$ 380 mil e a aquisição de uma Mercedes-Benz GLB 35 AMG de R$ 508,5 mil.

Direito ao silêncio

Prot egidos por habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal, ambos compareceram como investigados e puderam se negar a responder questionamentos que poderiam gerar autoincriminação. Thaisa manteve silêncio sobre os bens e limitou-se a afirmar que os valores recebidos por suas empresas decorrem de “consultoria, pesquisa e pareceres médicos”. Virgílio respondeu a parte das perguntas, negou envolvimento em ilícitos e disse não ter sido indiciado.

Cobrança de parlamentares

O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), questionou a origem dos recursos empregados na tentativa de comprar o imóvel em Santa Catarina e na aquisição de veículos de alto padrão. Parlamentares como o senador Rogério Marinho (PL-RN) e o deputado Kim Kataguiri (União-SP) criticaram o rápido enriquecimento do ex-procurador, que ocupou cargos de chefia na Procuradoria do INSS desde 2008.

Operação Sem Desconto

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União apuram se Virgílio, então procurador-geral entre 2022 e abril de 2024, autorizou o desbloqueio em massa de benefícios para a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), desconsiderando pareceres técnicos. A medida teria reativado descontos em contracheques de segurados, beneficiando associações investigadas.

Defesa do casal

Em sua fala inicial, Thaisa declarou ser “vítima de acusações cruéis” e assegurou que nunca participou de atividades ilícitas. Virgílio alegou ter exercido funções técnicas em diferentes governos, reafirmou confiança na investigação e disse colaborar dentro dos limites definidos por sua defesa.

Esta foi a primeira sessão da CPMI dedicada exclusivamente a depoimentos. Os parlamentares aguardam novos documentos para rastrear a movimentação financeira do casal e o eventual vínculo com o esquema de fraudes na Previdência.

Com informações de Gazeta do Povo

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