Cinco ex-ministros da Justiça divulgaram, nesta sexta-feira (7.nov.2025), uma carta aberta solicitando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passe a comandar diretamente a segurança pública do Rio de Janeiro. O grupo afirma que a medida é necessária para conter a crise desencadeada pela Operação Contenção, ação policial que resultou na morte de 121 pessoas nos complexos da Penha e do Alemão na semana passada.
Assinam o documento Tarso Genro, que chefiou a pasta no segundo mandato de Lula, além de Aloysio Nunes Ferreira, José Carlos Dias, Miguel Reale Jr. e Nelson Jobim, todos ex-ministros durante os governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A carta também reúne apoio de nomes como José Dirceu, Benedito Mariano, Lenio Streck, Luiz Eduardo Soares, Nélio Machado, Oscar Vilhena, Técio Lins e Silva e Vicente Trevas, entre outros.
Pedido de intervenção federal
No texto, os ex-ministros classificam a Operação Contenção como “mal preparada e mal explicada” e a descrevem como “operação de guerra” que colocou a Polícia Militar fluminense em confronto com a população local. Segundo dados oficiais citados, 117 civis e quatro policiais morreram na ação.
Para reverter o cenário, os signatários sugerem a criação de uma Secretaria Especial da Presidência da República, com status ministerial, diretamente subordinada a Lula. O órgão teria a função de coordenar todas as instâncias federais de polícia, inteligência e operações no estado, em parceria com o governo fluminense, além de servir de base para o futuro Ministério da Segurança Pública prometido pelo presidente.
Críticas ao governo estadual
O grupo lamenta que o governador Cláudio Castro (PL) não tenha solicitado apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública e atribui à iniciativa isolada do estado a “catástrofe de dimensões históricas”. Para os ex-ministros, operações policiais repetidas reforçam o poder de facções e aumentam riscos para moradores e agentes.
Imagem: Antônio Lacerda
Programa nacional contra facções
A carta ainda propõe um Programa Nacional de Enfrentamento às Facções Criminosas, com foco em sufocar financeiramente as organizações. Como exemplo, cita a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), e ressalta que os principais líderes das facções não vivem nas periferias, mas utilizam esses territórios para manter suas atividades ilícitas.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e o governo do Rio foram procurados para comentar o pedido, mas não responderam até a publicação desta reportagem.
Com informações de Gazeta do Povo

