O governo dos Estados Unidos suspendeu nesta sexta-feira (14) a tarifa adicional de 10% que havia sido aplicada em abril a uma série de produtos agrícolas estrangeiros. A medida, assinada pelo presidente Donald Trump, beneficia todos os parceiros comerciais norte-americanos, mas não altera a sobretaxa unilateral de 40% imposta em agosto aos itens procedentes do Brasil.
Logo após o anúncio, o Palácio do Planalto acionou o Departamento do Tesouro dos EUA e o Escritório do Representante Comercial (USTR). Ambos confirmaram que a sobretaxa de 40% permanece válida para mercadorias brasileiras, informou o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua, em entrevista ao portal g1.
Na quinta-feira (13), o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, discutiu o tema por telefone com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Apesar de avanços nas negociações, a ordem executiva publicada nesta sexta não cita especificamente o Brasil.
A Casa Branca afirma que a retirada da tarifa recíproca de 10% busca conter a escalada dos preços dos alimentos no mercado interno. A lista de itens contemplados inclui café, frutas tropicais e carne bovina.
A sobretaxa de 40% foi adotada em agosto após críticas do governo americano ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) e às decisões do ministro Alexandre de Moraes envolvendo grandes empresas de tecnologia. Com a tarifa recíproca de abril, a carga sobre os produtos brasileiros havia chegado a 50%.
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Líderes dos dois países voltaram a tratar do tema no fim de outubro, durante encontro paralelo à cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Kuala Lampur, na Malásia. Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump discutiram o tarifaço e as sanções norte-americanas a autoridades brasileiras.
A nova ordem executiva entra em vigor imediatamente, reduzindo os encargos sobre artigos considerados de consumo essencial nos Estados Unidos e liberando a importação de café, frutas e carne bovina de vários mercados, exceto do Brasil, que continua sujeito ao adicional de 40%.
Com informações de Gazeta do Povo

