Uma anã branca localizada a 48 anos-luz da Terra, na constelação do Centauro, confirmou a hipótese de que certos remanescentes estelares podem cristalizar o interior e formar um imenso diamante. Catalogada como BPM 37093 ou V886 Centauri, a estrela recebeu o apelido de “Lucy” em alusão à canção “Lucy in the Sky with Diamonds”, dos Beatles. A comprovação científica de sua estrutura interna foi anunciada há 22 anos, a partir de observações conduzidas por astrônomos de diferentes instituições.
Como a estrela se transformou
Lucy é o núcleo remanescente de uma estrela semelhante ao Sol que consumiu todo o hidrogênio e o hélio disponíveis para fusão. Sem massa suficiente para iniciar a fusão de carbono, o astro expulsou suas camadas externas e se contraiu até atingir tamanho aproximado ao da Terra, mas com metade da massa solar. O material comprimido no interior — maioritariamente carbono e oxigênio — começou a esfriar e, ao perder calor, passou por uma transição de fase, organizando-se em uma estrutura cristalina.
Método de detecção
A confirmação da cristalização foi possível graças à asterossismologia. Pequenas variações de brilho, semelhantes a “sismos” estelares, foram medidas por redes de telescópios como o Whole Earth Telescope (1998 e 1999) e o observatório Magellan (2003). A análise das pulsações indicou que entre 80% e 90% da massa da anã branca já está solidificada em carbono cristalino.
Dimensão da “jóia”
Com base nos modelos, o diamante cósmico de Lucy teria cerca de 10 bilhões de trilhões de trilhões de quilates. A distância e as condições extremas — gravidade intensa e temperaturas elevadas — impedem qualquer exploração direta.
Importância para a astrofísica
A cristalização libera calor latente, retardando o resfriamento da anã branca. A descoberta ajusta estimativas de idade para populações estelares inteiras, já que esses objetos permanecem quentes por mais tempo do que se pensava. O fenômeno também antecipa o futuro do Sistema Solar: em aproximadamente 5 bilhões de anos, o Sol deve tornar-se uma anã branca e, após mais 2 bilhões de anos, iniciar o mesmo processo de cristalização.
Lucy representa, assim, um laboratório natural para estudos de matéria sob pressões e temperaturas impossíveis de reproduzir na Terra, além de fornecer parâmetros cruciais para a cronologia da Via Láctea.
Com informações de Olhar Digital

