O cometa interestelar 3I/ATLAS alcança nesta sexta-feira, 19 de dezembro, a menor distância em relação à Terra: aproximadamente 270 milhões de quilômetros — margem considerada totalmente segura. Desde a detecção inicial, em 11 de novembro de 2025, o objeto é acompanhado por observatórios terrestres e espaciais, tornando-se o terceiro visitante interestelar já registrado no Sistema Solar.
Descobertas já confirmadas
Os estudos apontam que o 3I/ATLAS:
- pode ter mais de 7 bilhões de anos, idade superior à do Sistema Solar;
- libera níquel atômico, fenômeno incomum em cometas;
- possui nuvem gasosa (coma) de 350 mil km composta, em grande parte, por dióxido de carbono;
- formou uma anticauda;
- apresenta aceleração não explicada apenas pela gravidade;
- emite sinal de rádio;
- pode abrigar vulcões de gelo ativos;
- exibe emissão de raios X, detectada pela ESA — a primeira em um objeto interestelar;
- terá a órbita levemente alterada ao passar por Júpiter em março de 2026.
O que os cientistas mais gostariam de encontrar
Consultados pela plataforma Time And Date, vários pesquisadores e entusiastas enumeraram as descobertas que considerariam mais marcantes nos próximos dados do 3I/ATLAS.
Thomas H. Puzia, astrofísico da Pontifícia Universidade Católica do Chile, cita o fósforo como elemento crucial: “Confirmar esse componente, essencial ao DNA e ao metabolismo celular, em um visitante interestelar ampliaria as chances de vida complexa ter surgido precocemente na Via Láctea”.
Para a brasileira Maria Elisabeth Zucolotto, da UFRJ, a presença isolada de fósforo não bastaria. O ideal seria detectar a combinação CHONPS (carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre) em formas biologicamente relevantes, como organofosfatos ou aminoácidos simples.
A geóloga Amanda Tosi, também da UFRJ, destaca o excesso de níquel — superior até ao de ferro — e a concentração atípica de metano e cianeto. Segundo ela, esses parâmetros podem mostrar como outros sistemas planetários produzem cometas.
O astrônomo amador Marcelo Domingues, do Clube de Astronomia de Brasília e da Bramon, espera “química orgânica complexa ou assinaturas isotópicas muito diferentes das do Sistema Solar”, o que transformaria o 3I/ATLAS em “cápsula do tempo” de outra região da galáxia.
Cristóvão Jacques, fundador do Observatório SONEAR (MG), considera mais fascinante identificar a estrela de origem do cometa. Ele ressalta, contudo, que reconstituir a trajetória a ponto de apontar o sistema natal “é tarefa quase impossível”.
Imagem: Gianluca Masi
Do Rio Grande do Sul, o pesquisador Carlos Fernando Jung (Observatório Heller & Jung) reforça o interesse pela procedência do objeto. Para ele, a composição dominada por CO₂, a química orgânica incomum e o enriquecimento metálico sugerem “fragmento de crosta planetária” em vez de núcleo cometário típico.
Já o astrônomo Gabriel Hickel, doutor pelo Inpe, observa que o 3I/ATLAS se comporta até agora como um cometa comum, embora rico em gás carbônico. Ele prevê como surpresa a possível identificação de molécula inédita, erupções bruscas de material — a exemplo do cometa 17P/Holmes — ou até fragmentação parcial.
Enquete sobre a “grande descoberta”
O perfil do Olhar Digital na rede X lançou enquete perguntando o que o público mais espera encontrar nos próximos estudos: a origem do objeto, indícios da química da vida, informações sobre outros sistemas estelares ou algo totalmente novo.
A comunidade científica segue monitorando o 3I/ATLAS à medida que ele cruza a órbita terrestre e se aproxima de Júpiter. Qualquer avanço será acompanhado em tempo real por telescópios e missões espaciais.
Com informações de Olhar Digital

