Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), no Canadá, em parceria com instituições da China, demonstraram que é possível tornar temporariamente um rim do tipo sanguíneo A compatível com qualquer receptor. O resultado, publicado na revista Nature Biomedical Engineering, representa um passo rumo ao chamado “rim universal”.
Como foi feito
A equipe aplicou enzimas que atuam como “tesouras moleculares”, removendo os açúcares (antígenos) presentes na superfície das células do órgão que indicam o tipo A. Sem esses marcadores, o sistema imunológico do receptor não identifica imediatamente o rim como invasor, reduzindo o risco de rejeição hiperaguda.
Teste em modelo humano
O método foi avaliado em um paciente com morte cerebral. O órgão convertido funcionou normalmente por dois dias, sem sinais de ataque do sistema de defesa. No terceiro dia, parte dos antígenos voltou a aparecer, provocando uma reação mais branda do que o habitual em casos de incompatibilidade sanguínea.
Impacto potencial
A técnica pode diminuir o tempo de espera por transplantes, sobretudo para pacientes do tipo O — que hoje aguardam de dois a quatro anos a mais por um rim, pois só podem receber órgãos do mesmo tipo. Ao modificar o órgão, e não o receptor, o procedimento pode ampliar o uso de rins de doadores falecidos e poupar recursos.
Próximos passos
Embora promissora, a abordagem ainda precisa de estudos adicionais para garantir que a conversão seja duradoura e segura antes de chegar à prática clínica. O professor emérito de química Stephen Withers, que co-liderou o desenvolvimento das enzimas, destacou que o experimento fornece “informações valiosas sobre como melhorar os resultados de longo prazo”.
Os pesquisadores continuarão a refinar a técnica e a buscar aprovação regulatória antes que o rim universal possa integrar a rotina dos hospitais.
Com informações de Olhar Digital

