Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego descobriram que a enzima N4BP2 atua como gatilho da cromotripsia – evento no qual cromossomos se quebram de forma abrupta e são remontados desordenadamente, tornando tumores mais agressivos e resistentes. O trabalho foi publicado nesta quinta-feira (15) na revista Science.
Caos genético em minutos
Ao contrário da evolução gradual normalmente observada em células saudáveis, a cromotripsia provoca a fragmentação de um cromossomo em dezenas ou centenas de pedaços de uma só vez. Esses fragmentos são reunidos aleatoriamente, criando combinações genéticas que favorecem a rápida adaptação das células cancerígenas.
Estudos anteriores mostravam que cerca de 25% dos cânceres humanos carregam marcas desse fenômeno; em osteossarcoma, praticamente todos os casos apresentam o padrão de fragmentação.
Micronúcleo sob ataque
A investigação concentrou-se nos micronúcleos, estruturas frágeis formadas quando um cromossomo fica isolado durante a divisão celular. Ao analisar todas as nucleases humanas conhecidas, a equipe encontrou apenas a N4BP2 capaz de penetrar nesses micronúcleos e causar danos extensos ao DNA.
Quando a enzima foi removida de células de câncer cerebral, a fragmentação cromossômica caiu drasticamente. Já a introdução forçada da N4BP2 em células saudáveis promoveu a quebra de cromossomos intactos, confirmando seu papel como agente detonador.
Associação com tumores agressivos
A análise de mais de 10 mil genomas de diferentes tipos de câncer revelou que tumores com altos níveis de N4BP2 exibiam maior incidência de cromotripsia e quantidade ampliada de DNA extracromossômico (ecDNA). Esse material adicional costuma carregar genes que impulsionam o crescimento tumoral e a resistência a terapias.
Imagem: Peoples
Possíveis caminhos terapêuticos
Ao identificar a N4BP2 como o ponto de partida do desastre genético, os autores sugerem que bloquear a ação da enzima pode limitar a capacidade de o câncer evoluir rapidamente, oferecendo uma rota complementar aos tratamentos atuais.
Embora ainda sejam necessários testes clínicos, compreender o momento exato em que a cromotripsia se inicia pode abrir espaço para novas estratégias destinadas a conter tumores de comportamento mais agressivo.
Com informações de Olhar Digital

