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Edson Fachin assume comando do STF em meio a tensão com Congresso e EUA

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O ministro Edson Fachin toma posse como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 29 de setembro de 2025, às 16h, em Brasília. Ele sucede Luís Roberto Barroso e terá como vice o ministro Alexandre de Moraes, figura central das recentes discussões entre o Judiciário, o Congresso Nacional e o governo dos Estados Unidos.

Crise interna e pressão externa

Fachin assume o tribunal enquanto parte significativa do Parlamento critica o que considera ativismo político da Corte. Paralelamente, a gestão do presidente norte-americano Donald Trump manifesta repúdio às decisões que atingem empresas de tecnologia dos EUA e apontam suposta restrição à liberdade de expressão de setores da direita no Brasil.

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A tensão também envolve a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe e abolição dos poderes constituídos. A direita articula um projeto de anistia, o Centrão defende apenas a redução das penas mantendo a inelegibilidade de Bolsonaro, e a esquerda quer preservar as punições impostas pelo STF.

Nos primeiros julgamentos sobre os atos de 8 de janeiro de 2023, Fachin votou alinhado a Moraes, fixando penas entre 14 e 17 anos de prisão. Ele não participou da condenação de Bolsonaro por integrar a Segunda Turma, mas poderá determinar a data de eventual análise sobre a constitucionalidade de futura lei de anistia.

Pautas iniciais

Para outubro, o novo presidente já definiu julgamentos:

  • Dois processos que discutem se motoristas de aplicativos mantêm vínculo trabalhista regido pela CLT.
  • Ação do PSOL contra a destinação de 862 hectares do Parque Nacional do Jamanxim à Ferrogrão.
  • Processo que define se o Estatuto do Idoso vale para contratos de planos de saúde anteriores a 2003.
  • Ação que obriga a polícia a informar o direito ao silêncio no momento da abordagem.

Fachin também deve agendar a ação do PT, relatada por Cristiano Zanin, que questiona a aplicação da Lei Magnitsky dos EUA a Moraes.

Perfil do novo presidente

Nascido em 8 de fevereiro de 1958, em Rondinha (RS), Luiz Edson Fachin formou-se em Direito pela Universidade Federal do Paraná e tornou-se professor titular da instituição. É mestre e doutor pela PUC-SP, possui pós-doutorado no Canadá e passagens acadêmicas na Alemanha e no Reino Unido. Indicado ao STF pela então presidente Dilma Rousseff, tomou posse em junho de 2015.

No tribunal, Fachin anulou as condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato em 2021, votou pela descriminalização do porte de maconha em 2015 e apoiou decisões favoráveis a união estável entre pessoas do mesmo sexo, equiparação da homofobia ao crime de racismo e ampliação da injúria racial.

Embora tenha histórico de posicionamentos progressistas, Fachin divergiu da maioria recentemente ao defender a manutenção do artigo 19 do Marco Civil da Internet, por considerar que mudanças poderiam gerar remoções arbitrárias de conteúdo e afetar a liberdade de expressão.

Nos próximos dois anos à frente do STF, o ministro terá de equilibrar as pressões políticas internas, a relação com os Estados Unidos e debates sensíveis que devem chegar ao plenário, como eventuais mudanças penais decorrentes dos atos de 8 de janeiro e a regulação das plataformas digitais.

Com informações de Gazeta do Povo

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