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Economia segue como fator determinante para reeleição de Lula em 2026, apontam especialistas

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Brasília, 26 de setembro de 2025. Analistas ouvidos por institutos de pesquisa e consultorias avaliam que o discurso de soberania nacional adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde o aumento de tarifas dos Estados Unidos ajuda a recompor a imagem do governo, mas não deve ser suficiente para garantir a recondução do petista ao Planalto em 2026. O humor do eleitorado continuará atrelado, principalmente, à percepção sobre a economia.

Popularidade melhora, mas empaca

Após atingir desaprovação recorde de 57 % em maio, em meio ao escândalo de desvio de recursos do INSS, Lula viu seus índices reagirem entre julho e agosto, período marcado pela queda nos preços dos alimentos e pela retórica de enfrentamento ao “tarifaço” do presidente norte-americano Donald Trump. A mais recente pesquisa Genial/Quaest mostra, porém, que essa recuperação estacionou: a aprovação está em 51 %.

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Para Sérgio Sakurai, economista da USP de Ribeirão Preto, fatores identitários ou diplomáticos “fazem parte do enredo”, mas a decisão do voto continua ligada às condições de vida do eleitor. A cientista política Graziella Testa, da FGV, concorda: “O cidadão responsabiliza diretamente o presidente pelo cenário econômico”.

Crescimento fraco e juros altos

O Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar 2 % em 2025 e apenas 1,5 % em 2026, segundo projeção do Banco Central. Mesmo com expansão modesta, o desemprego chegou a 5,6 % no trimestre encerrado em julho, o menor nível desde o início da série da PNAD Contínua do IBGE. A inflação permanece no radar: o BC estima IPCA de 4,8 % em 2025, acima da meta de 3 %; para 2026, a previsão cai para 3,6 %.

Para conter a alta de preços, o Comitê de Política Monetária manteve a Selic em 15 % ao ano na reunião de setembro e sinalizou que a taxa deve permanecer elevada por um período prolongado. Sakurai associa o aperto monetário a um “círculo vicioso” provocado pelo desequilíbrio fiscal: gastos elevados levam ao aumento da dívida, pressionam os juros e inibem investimentos.

Pacote de bondades em ano pré-eleitoral

Na contramão da política monetária contracionista, o Planalto lançou programas voltados ao consumo popular. Entre eles, o Luz do Povo, que promete isentar famílias de baixa renda da conta de energia e deve custar R$ 3,6 bilhões anuais, e o Gás do Povo, estimado em R$ 5,1 bilhões. O governo também estuda subsídio ao transporte coletivo, com impacto que pode superar R$ 50 bilhões se valer para todos os dias.

A maior parte das iniciativas depende de aval do Congresso. Na quarta-feira (24), a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou substitutivo ao PL 1.952/2019, elevando a faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil e criando descontos progressivos até R$ 7.350, além de tributar dividendos e instituir um programa de regularização tributária. O texto segue para a Câmara, onde a votação da proposta do Executivo está marcada para 1.º de outubro.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirma que o governo aceita ajustes, desde que acompanhados de medidas de compensação — como alíquota mínima progressiva para quem ganha mais de R$ 600 mil por ano, que pode chegar a 10 %.

As ações já surtiram efeito entre beneficiários do Bolsa Família: a aprovação de Lula nesse grupo subiu de 50 % para 64 % entre julho e setembro, segundo a Genial/Quaest.

Tarifas dos EUA acrescentam imprevisibilidade

No exterior, a principal incerteza é o pacote tarifário imposto por Donald Trump. Sectores brasileiros negociam exceções em Washington, mas economistas lembram que novas medidas podem surgir até a eleição brasileira. Fabrizio Velloni, da Frente Corretora de Câmbio, alerta para possíveis embargos que afetariam exportações, atividade e inflação. Já Daniela Campelo, da FGV, acredita que a pressão de empresas americanas pode frear novas barreiras e até abrir caminho para um acordo após a recente reunião entre Lula e Trump na ONU.

Com cenário fiscal apertado, crescimento limitado e variações na popularidade, especialistas concluem que o resultado de 2026 dependerá, sobretudo, de como o eleitor sentirá o próprio bolso às vésperas da votação.

Com informações de Gazeta do Povo

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