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Desenvolvimento na Amazônia acirra disputa política, ambiental e econômica

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A noção de desenvolvimento na Amazônia passou a representar interesses divergentes que envolvem governos, empresários, comunidades tradicionais e organizações ambientais. O debate ganhou força nas últimas décadas, impulsionado pela visibilidade internacional da pauta climática e, mais recentemente, pela realização da COP 30 em Belém, em novembro de 2025.

Visões opostas sobre progresso

A ex-deputada federal Silvia Waiãpi defende a revisão das leis ambientais. Segundo ela, a exigência de manter 80% da área preservada na região — ante 20% em outras partes do país — bloqueia investimentos e intensifica problemas de infraestrutura, segurança e criminalidade. “O povo foi condenado à morte em nome da sustentabilidade”, afirma.

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Para o escritor e consultor do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), Alfredo Lopes, o impasse não está nas regras ambientais, mas na ausência de uma estratégia nacional que garanta logística, energia limpa e política industrial adequadas. Ele ressalta que, sem empregos formais, moradores recorrem a atividades ilegais que pressionam a floresta.

O cientista político Adriano Gianturco, professor de Relações Internacionais do Ibmec, questiona “para quem” a Amazônia deve se desenvolver. Ele defende que decisões priorizem indígenas, ribeirinhos, pequenos produtores e trabalhadores urbanos, em vez de agendas elaboradas por governos distantes ou organismos multilaterais.

Exemplo e gargalos

Alfredo Lopes aponta a Zona Franca de Manaus como modelo de geração de riqueza com 97% da floresta preservada e mais de 500 mil empregos formais. Já Waiãpi considera que o tripé da sustentabilidade — econômico, social e ambiental — está desequilibrado, citando o saneamento precário como evidência de impedimentos ao progresso.

Quatro décadas de curvas e contracurvas

Desde os anos 1970, cada governo redefiniu o significado de desenvolvimento na Amazônia:

  • Governo Médici (1970-1974) – Incentivo à ocupação com projetos como a Transamazônica (BR-319) e o Programa de Integração Nacional.
  • Sarney (1985-1990) – Criação do Ibama, marcando maior atenção internacional ao desmatamento.
  • Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) – Implantação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação e parcerias internacionais como o PPG-7.
  • Lula (2003-2010) – Lançamento do PPCDAm, intensificando monitoramento e fiscalização.
  • Dilma Rousseff (2011-2016) – Avanço de hidrelétricas (Belo Monte, Santo Antônio, Jirau) sob forte debate socioambiental.
  • Michel Temer (2016-2018) – Tentativas de flexibilização, como a extinção (revogada) da Renca e mudança nos limites do Parna do Jamanxim.
  • Jair Bolsonaro (2019-2022) – Propostas de afrouxar o licenciamento ambiental e retomar obras de infraestrutura, enfrentando críticas externas.
  • Lula (desde 2023) – Retomada do Fundo Amazônia, reforço da fiscalização e preparação para a COP 30, gerando atritos com produtores e governos locais.

Analistas apontam que a falta de continuidade transforma a região em laboratório de políticas que se iniciam, mudam de rumo e raramente se completam. Enquanto a floresta é celebrada internacionalmente, problemas de saneamento, emprego e logística permanecem rotina para a população local.

Com informações de Gazeta do Povo

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