O depoimento prestado pelo banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) revelou que o Banco Central (BC) foi alertado em março de 2025 sobre a má qualidade dos títulos de crédito vendidos pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões. Ainda assim, a autarquia decretou a liquidação extrajudicial do Master apenas em 18 de novembro de 2025.
BC questionou, mas não aprofundou investigação
Segundo Vorcaro, o BC enviou, em 17 de março de 2025, um ofício solicitando esclarecimentos sobre a origem das carteiras repassadas ao BRB. O executivo afirmou que respondeu informando que os papéis haviam sido emitidos por terceiros, entre eles a empresa Tirreno, mas não recebeu novos pedidos formais de detalhamento. “Depois da nossa resposta, não foi emitido nenhum comunicado para aprofundar ou apontar erros”, declarou.
Questionado pela delegada da PF se havia algum processo sancionador contra o Master até a véspera da intervenção, Vorcaro respondeu que não existia procedimento punitivo do BC até 17 de novembro de 2025.
Recomendação de compra partiu da fiscalização do BC
O banqueiro também relatou que a aquisição do Master pelo BRB contava com o aval de diversas instâncias, inclusive da Diretoria de Fiscalização do BC, comandada por Ailton de Aquino. “O negócio foi recomendado por diversas auditorias e pela própria fiscalização do Banco Central, que indicava ser positivo para o sistema financeiro”, disse.
Vorcaro acrescentou que se reuniu com Aquino em 17 de novembro de 2025, um dia antes da liquidação. O encontro, segundo ele, serviu para debater um plano de solução após o veto à operação com o BRB. O executivo disse ter informado ao diretor que viajaria ao exterior naquela noite — viagem que não chegou a ocorrer porque ele foi preso pouco antes do embarque, durante a deflagração da Operação Compliance Zero.
Vorcaro defende atuação da fiscalização
Ao ser indagado se a supervisão do BC falhou, Vorcaro declarou que, até 17 de novembro, a equipe liderada por Aquino “atuou com diligência normal”, mantendo diálogo diário sobre o Master, os títulos negociados e a tentativa de venda ao BRB.
Ailton de Aquino também foi ouvido pela PF em 30 de dezembro, porém não figura entre os investigados na operação.
Com informações de Metrópoles

