Dario Durigan tomou posse como ministro da Fazenda na última semana, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para substituir Fernando Haddad, que deixou o cargo para disputar o governo de São Paulo. Ex-secretário-executivo da pasta, Durigan era o número dois da equipe econômica e chega ao comando sem provocar surpresa no mercado financeiro.
Prioridade: contas públicas
Analistas ouvidos apontam que a principal missão do novo ministro é garantir o cumprimento das metas fiscais durante o ciclo eleitoral de 2026. A expectativa é de manutenção das linhas traçadas por Haddad, sobretudo no controle de gastos e na previsibilidade das ações do governo.
Com passagem pela Advocacia-Geral da União (AGU) e experiência no setor privado, Durigan participou de iniciativas que elevaram a arrecadação, da negociação da reforma tributária sobre o consumo e do programa de renegociação das dívidas estaduais.
Espaço orçamentário apertado
O arcabouço fiscal limita o crescimento real das despesas federais a 2,5% ao ano. Como os gastos obrigatórios avançam acima desse patamar, o espaço para investimentos e desembolsos livres deve continuar restrito, sinalizando possíveis bloqueios de verbas dos ministérios ao longo de 2026.
Raphael Costa, especialista em gestão empresarial do Grupo 220, destaca que o mercado valoriza a consistência das metas já estabelecidas: “Mais do que anunciar novas medidas, o momento pede reforço do compromisso com o controle de gastos”.
Debate sobre novo modelo a partir de 2027
O atual arcabouço, sustentado em boa parte pelo aumento de impostos, começa a dar sinais de esgotamento, segundo o analista político Erich Decat. Ele avalia que o tema deve pautar as eleições e que Durigan terá papel de colaborador, sem protagonismo, na discussão de um eventual novo regime fiscal para vigorar a partir de 2027.
Congresso e capital político
A proximidade do calendário eleitoral tende a esvaziar o Congresso, reduzindo o ritmo de votações de propostas econômicas. Entre as matérias com pouca chance de avanço estão a PEC que cria a jornada 6×1 e o chamado “imposto do pecado”, tributo seletivo incluído na reforma tributária para desestimular produtos nocivos à saúde ou ao meio ambiente, previsto para 2027.
Pressão dos combustíveis
O aumento do preço do petróleo, motivado pela guerra no Oriente Médio, impõe ao ministério seu primeiro teste. Na terça-feira (24), Durigan anunciou proposta de subsídio aos importadores de diesel, no valor de R$ 1,20 por litro até o fim de maio, dividindo o custo entre União e estados. Como cerca de 30% do diesel consumido no país é importado, a medida busca evitar repasses imediatos às bombas e nova pressão inflacionária.
Olho no mercado
Até o momento, a transição na Fazenda foi recebida sem turbulências. Especialistas atribuem a reação serena à percepção de continuidade. Ainda assim, permanece a cautela quanto à capacidade do novo ministro de liderar reformas mais amplas após 2027, caso o atual governo seja reconduzido.
Com perfil técnico e discreto, Durigan herda a responsabilidade de atravessar o ano eleitoral mantendo a confiança dos agentes econômicos e o equilíbrio das contas públicas.
Com informações de G1

