Brasília – A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou na quinta-feira, 26 de fevereiro, a convocação e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão, considerada uma derrota expressiva para o Palácio do Planalto, que dispunha de maioria numérica no colegiado, marca o fim de um acordo informal de não agressão que vinha contendo investidas tanto contra integrantes do governo Lula quanto contra a família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Manobra na direção da comissão
Segundo parlamentares governistas, a cúpula da CPMI conduziu a votação de forma a favorecer a oposição. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), classificou o episódio como “golpismo contumaz” e afirmou que “acabou a CPI, começou a eleição”.
Papel do STF
A reviravolta teve início fora do Legislativo. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), assumiu a relatoria de inquéritos sobre desvios no INSS e no Banco Master – antes sob responsabilidade do ministro Dias Toffoli – e autorizou o compartilhamento de dados com a CPMI. Ainda antes disso, Mendonça já havia determinado a quebra do sigilo bancário de Lulinha, atendendo a pedido da Polícia Federal (PF), que apontou “fundada suspeita” de repasse de cerca de R$ 300 mil ao investigado por meio de um intermediário.
A autorização fortaleceu a comissão, que tem prazo até o fim de março para concluir os trabalhos.
Reação do governo
O Planalto pretende recorrer à presidência do Senado para tentar anular a decisão. Entretanto, o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), demonstra insatisfação com o governo e com a nova dinâmica imposta pelo STF, o que pode dificultar qualquer tentativa de reversão.
Com a perda do escudo político, aliados do presidente admitem que o custo para conter novos avanços da oposição na CPMI aumentou significativamente.
A CPMI, instalada em meio a suspeitas de fraudes bilionárias no INSS, tornou-se agora palco antecipado da disputa eleitoral de 2026, ampliando a pressão sobre o governo e sobre o Congresso.
Com informações de G1

