A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (CPMI do INSS) passou a apurar a negociação de uma aeronave de pequeno porte entre o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o presidente de uma organização não governamental suspeita de participar do esquema. O caso foi incluído no inquérito nesta segunda-feira (27).
Suspeitas sobre recursos públicos
De acordo com o relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), a transação pode indicar uso irregular de dinheiro público, já que a ONG ligada à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) recebeu R$ 2,5 milhões em emendas apresentadas por Pettersen. O parlamentar também foi apontado, em depoimento, como responsável pela indicação de Alexandre Guimarães para a Diretoria de Governança do INSS. Guimarães é investigado por ter recebido R$ 2 milhões de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, acusado de operar fraudes em benefícios previdenciários.
Em nota, Pettersen afirmou que o avião foi vendido “regularmente a particulares alheios às investigações” e que não participou de revendas posteriores. Sobre Guimarães, declarou que, como em outras indicações, limitou-se a encaminhar o currículo e que cada nomeado deve responder por seus atos.
Convocação do senador Weverton Rocha
O colegiado também pretende ouvir o senador Weverton Rocha (PDT-MA), citado em depoimentos como empregador de um contador supostamente sócio de empresa relacionada a Antunes. Além disso, documentos sugerem que Rocha teria compartilhado o uso de um jatinho Beech Aircraft F90, prefixo PT-LPL, com o lobista investigado. O avião pertence ao advogado de Antunes no Supremo Tribunal Federal, amigo do senador.
Rocha, em nota divulgada em setembro, classificou como “infundadas e irresponsáveis” as tentativas de vinculá-lo ao esquema e afirmou que adotará medidas judiciais para proteger sua imagem. Ele acrescentou que o ex-assessor citado tinha nomeação “estritamente política” e que não mantém relação profissional com ele.
Requerimentos rejeitados
Embora tenha autorizado novas quebras de sigilo, a CPMI recusou pedidos para convocar o ex-assessor de Rocha e o sócio de uma empresa de turismo que recebeu R$ 5,4 milhões da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), também investigada. Parlamentares da oposição criticaram a decisão, alegando tentativa de proteger aliados do governo.
Imagem: Carlos Moura
O deputado Evair de Melo (PP-ES) solicitou à comissão os registros de voo do jatinho, argumentando que o compartilhamento da aeronave pode evidenciar proximidade entre o senador e o operador do esquema.
A CPMI ainda aguarda resposta da ONG mencionada sobre a compra do avião. Novas audiências devem ser marcadas nas próximas semanas para ouvir envolvidos e analisar documentos fiscais e bancários.
Com informações de Gazeta do Povo

